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Homenagem ao Rev. João José Dias (Brava, 1873 – 1964), Pioneiro da Igreja do Nazareno

 

 

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Arrancaram na Praia, com a presença do Superintendente Geral da Igreja do Nazareno, Rev. Dr. Eugénio Duarte, com jurisdição em África, as celebrações dos 120 anos da Igreja do Nazareno em Cabo Verde. O ponto alto dessas comemorações acontece na Brava, nos dias 13 e 14, continuando em São Vicente nos dias 16, 17 e 18 de Novembro.

 

Para uma melhor compreensão dessa efeméride, um pouco da história dessa igreja centenária – ‘das raízes aos frutos do presente’.

 

De uma maneira geral, a minha geração conviveu com os seus avós, principalmente as avós, que passaram aos seus netos memórias e recordações que iam, por sua vez, até aos seus avós. Poderei, assim, considerar-me o quinto anel da cadeia de cinco gerações e procurar responder às minhas indagações existências: (i) De onde vim? (ii) Como cheguei até aqui? (iii) Que herança devo transmitir à geração que se segue?

 

É seguindo essa lógica, embora simplista – e se se considerar que uma geração pode ter um tempo de 25 anos – estabeleço, grosso modo, como a tradição evangélica em Cabo Verde estar na quinta geração.

 

Francisco Xavier Ferreira, primeiro nacional Superintendente do Distrito, afirma in Primórdios do Evangelho em Cabo Verde, 1972: “Data dos fins do ano 1800 o começo da obra evangélica na ilha Brava, porem, só em 1901 a primeira igreja, de feição pentecostal”.

 

Irei fazer a apresentação esquemática dessas gerações tendo em conta (i) o Contexto Político e Social, (ii) a Liderança, (iii) os Pastores e sua formação académica e teológica. Assim:

 

1.ª Geração de Evangélicos – Feição Pentecostal (Finais 1800-1901)

Contexto Político e Social: Monarquia Constitucional (… -1910)

Nos finais do século XVII, baleeiros americanos e de outras nacionalidades começaram a pesca de cetáceos nos mares dos Açores e das Ilhas de Cabo Verde. As relações com os insulares, entre os quais procuravam auxiliares para as tarefas da pesca, terão aberto aos cabo-verdianos as perspectivas de emigrar para os Estados Unidos.

 

A fama de corajosos marinheiros e bons trancadores de baleia ter-se-á espalhado e os barcos cresceram em número na procura dos naturais da ilha da Brava. De 1880 a 1889, uma vaga de naturais dessa ilha seguiu nos navios de baleia e, a partir da última data, a emigração para os Estados Unidos atingiu as restantes ilhas, com grande entusiasmo e êxito.

Leigos: (Fraca escolaridade)

 

2.ª Geração de Evangélicos – Pentecostais/Nazarenos (1901-1936)

Contexto Político e Social: I República (1910-1926), Ditadura Militar (1926-1933) e Estado Novo (1933-…)

Regressado a Cabo Verde em 1901, João José Dias (“Nhô Djôm Dias”) iniciou um trabalho pioneiro na sua ilha natal, como missionário e Pastor da Pentecostal Nazarene Church. Em Outubro de 1907, a fusão, nos EUA, de duas associações de igrejas de que esta fazia parte, dá origem à Igreja do Nazareno. Esta, em 1907, perfilha a obra cabo-verdiana, continuando o Rev. João José Dias à testa da Obra.

Liderança: Pioneiro – Rev. João José Dias

Pastores: Irmãos Leigos (Fraca escolaridade)

 

3.ª Geração de Evangélicos – Nazarenos (1936-1953)

Contexto Político e Social: Estado Novo (1933-…)

Liderança: Missionários EUA e Reino Unido – Rev. Everett e Garnet Howard (1936 – 1951), Rev. Samuel Clifford e Charlotte Gay (1939 – 1955), Rev. Earl e Gladys Mosteller (1946 – 1958), Rev. Ernest e Jessie Eades (1948 – 1960), Enfermeira Lydia Wilke (1949 – 1963), Rev. James Elton e Margaret Wood (1953 – 1974).

Pastores (Pioneiros): Fraca formação académica + Preparação em Escola Bíblica e autodidatas – António Gomes de Jesus (1936), Ilídio Santa Rita Silva (1937), Francisco Xavier Ferreira (1942), Luciano Gomes de Barros (1943), José Maria Correia (1944), José Neves Caldeira Marques (1945), e Álvaro Barbosa Andrade (1948).

 

4.ª Geração de Evangélicos – Nazarenos (1953-1975)

Contexto Político e Social: Estado Novo (1933-1974)

Liderança: Missionários dos EUA – Rev. Roy Malcolm e Glória Henck (1958 – 1994); Rev. Paul e Nettie Stroud (1969 –); Rev. Duane e Linda Srader (1973 – 1980).

Pastores: Formação no Seminário Nazareno de Cabo Verde (SNCV) + Ensino Liceal

Professores SNCV: Missionários coadjuvados por 1 ou 2 nacionais.

 

5.ª Geração de Evangélicos – Nazarenos (1975-2021)

Contexto Político e Social: País independente (Democracia Revolucionária e Democracia Multipartidária)

Contexto Social: Efervescência política (1974-1975), Regime de Partido Único (1975-1990), Estado de Direito Democrático (1991-…)

Liderança: Superintendente Distrital (Nacional) + Director Campo (Missionário EUA) – último missionário, Rev. Philippe e Paula Troutman (1989 – 1991).

Superintendentes Distritais cabo-verdianos: Rev. Francisco Xavier Ferreira (1975-1979), Rev. Gilberto Sabino Évora (1979-1987), Rev. Eugénio Rosa Duarte (1987 – 1997), Rev. Emanuel David Araújo (1997-) e Rev. Leniza Monteiro Soares, Distrito Norte (2019-).

Em 1992 o Distrito de Cabo Verde ascende a Distrito Regular e em 2019 desdobra-se em Norte e Sul.

Pastores: Formação no Seminário Nazareno de Cabo Verde + Ensino Liceal

Professores SNCV: Missionários + Nacionais (sendo Dra. Odette Pinheiro a primeira Reitora nacional, de 1994 a 2007).

 

Em jeito de conclusão, fica a recomendação da leitura da tese de doutoramento em antropologia “Missionários do Sul: evangelização, globalização e mobilidades dos pastores cabo-verdianos da Igreja do Nazareno” de Max Ruben Ramos, defendida no Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa em 2015, Especialidade de Antropologia da Religião e do Simbólico.

 

A tese, que pode ser baixada da internet, tem como objectivo analisar as dinâmicas da mobilidade de missionários e pastores nazarenos cabo-verdianos para a África continental e Portugal.

 

Uma outra tese, esta em inglês, “The Church of the Nazarene in Cape Verde: a Religious Import in a Creole Society”, de João Mateus Monteiro, na área da Sociologia, defendida na Universidade de Drew em 1997.

 

Manuel Brito-Semedo

 

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1 comentário

De Pecas0093@gmail.com a 04.05.2022 às 13:49

Muitas vezes e cada vez mais, meditando nos Evangelhos, eu penso que sem Religiao, Jesus e irresistivel (ou seria) se fosse ou quando e apresentado na sua genuina simplicidade. Eu imagino o Jesus dos Evangelhos (nao o dos evangelicos ou o da cristianismo), sendo apresentado as pessoas em qualquer lugar do planeta, sem vinculos doutrinais, sem aderecos nem enderecos, e como seria algo tao desejavel! Mas, infelizmente hoje e cada vez mais Jesus chega as pessoas carregado e misturado com doutrinas do cristianismo, com a sua historia de morte, de perseguicao, de corrupcao e de perversao do Evangelho. Parece-me que, se no planeta, as pessoas esquecessem totalmente o «Cristianismo» e simplesmente JESUS, de modo puro e simples como apresentado nso Evangelhos, fosse pregado e anunciado, naquela primitiva simplicidade como Ele mesmo anunciou o Evangelho, podem crer, haveria uma verdadeira revolucao. O «cristianismo» digamos que sequestrou o Evangelho de Jesus como um testemunho universal. Hoje em dia e o cristianismo dos cristaos que mais parece ser a pedra de tropeco para  o verdadeiro evangelho entre os homens. Quem sabe se Judeus, nao tivessem uma atitude diferente perante o Jesus dos Evangelhos, se nao fosse o Cristianismo. Ou os islamicos, os hindus, os budistas, etc… Ate os cultos africanos e indios se nao fossem «denomizados» pelo cristianismo na sua evangelizacao cultural e doutrinaria para fazer proselitos, essa gente nao teria feito resistencia caso lhes fosse apresentado, Jesus e somente Jesus dos Evangelhos. Ahh, haveriam de abraca-lo com a simplicidade de uma crianca. Hoje assistimos a uma especie de desfitugacao do Jesus dos Evangelhos feita pelo Crsitianismo e pela religiao. De tal maniera que, em muitos lugares da terra, Ele se tornou desprezivel. Nao e por causa da maldade humana. Mas porque Jesus e apresentado envolto numa carga estranha de doutrinas e mais doutrinas que somente servem para sufocar o Espirito genuino do Jesus dos Evangelhos. Se Jesus se apresentasse hoje em dia em muitos ambientes evangelicos e religiosos, ou seria expulso ou O colocariam de castigo. Porque Ele estragaria muitos negocios feitos no Nome DEle mas que NADA teem a ver com Ele. Se tivermos coragem, haveriamos de dizer que, o pior inimigo do Evangelho de Jesus na terra, foi e e o Cristianismo. Quanto mais o Cristianimos se expande no planeta terra, mais barreiras sao criadas para o Evangelho puro de Jesus no mundo. Basta conhecer o minimo de historia para ver que nao ha exagero no que afirmo. Eu sou cada dia mais um simples discipulo de Jesus, Aquele que nao criou Cristianismo nenhum nem reliao nenhuma e nao tem NADA a ver com o que vemos por ai, mas que somente tem a ver com a vida e o amor.

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