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Há datas que não se esgotam na memória. Pedem consciência. O 13 de Janeiro é uma delas. Não se presta a celebrações automáticas nem a discursos gastos. Obriga-nos, isso sim, a lembrar que a democracia não acontece por inércia – constrói-se, cuida-se, exerce-se.

 

A democracia não é um dado adquirido. É sempre uma conquista provisória. Vive de escolhas exigentes, de desacordos assumidos e de uma liberdade que só faz sentido quando não exclui. Entre ilhas, aprendemos cedo que a liberdade não se herda: cuida-se.

 

O 13 de Janeiro assinala essa travessia decisiva: do medo para a cidadania, do silêncio imposto para a palavra plural, da obediência para a participação. Não como gesto épico, mas como processo. Não como ponto de chegada, mas como caminho.

 

Exaltamos, hoje, a liberdade que pensa antes de aplaudir. A democracia que não se limita ao acto eleitoral, mas se faz na escola, na imprensa, na cultura, na rua e na forma como tratamos o bem comum. A democracia que prefere a lucidez ao conforto e a responsabilidade à unanimidade.

 

Num tempo saturado de ruído, pressa e falsas soluções de ordem, o 13 de Janeiro lembra-nos algo essencial: a liberdade não é barulho – é critério. E a democracia não é concordância forçada – é convivência entre diferenças.

 

Exaltar o 13 de Janeiro é afirmar que não abdicamos da palavra, da memória nem do futuro. É reconhecer que a democracia dá trabalho – e vale cada dia desse trabalho. Porque é nela, e só nela, que a liberdade encontra casa.

 

 

Manuel Brito-Semedo

 

 

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