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30 anos de escrita

Brito-Semedo, 30 Dez 25

 

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Mindelo. Porto e cidade, no tempo que passa

 

 

No fim de 2025, este texto é um pequeno balanço, feito sem solenidade. Não para fechar um ciclo, mas para reconhecer um caminho percorrido, com continuidades e hesitações. A escrita segue, enquanto fizer sentido – acompanhando, como sempre, o país no tempo que passa.

 

Em 1995 publiquei Caboverdianamente Ensaiando. Não havia então um plano fechado, nem a ideia de um percurso a longo prazo. Havia inquietações: a identidade, a cultura, a língua, a forma como Cabo Verde se foi construindo enquanto sociedade. Escrevia-se a partir de perguntas, não de conclusões.

 

Ao longo dos anos, esses textos deram lugar a livros de natureza diversa. Até agora, esse caminho traduziu-se em uma dezena e meia de livros publicados, entre ensaio, investigação académica, estudos sobre cultura e património, reflexão sobre educação, crónica e intervenção pública. Alguns nasceram do trabalho universitário, outros do jornal, outros ainda da observação do quotidiano. Nem sempre obedeceram à mesma forma, mas mantiveram uma preocupação comum: compreender Cabo Verde a partir da sua própria história e experiência social.

 

Em 2006, A Construção da Identidade Nacional procurou analisar como a ideia de cabo-verdianidade se foi formando no discurso público, sobretudo através da imprensa. Mais tarde, Ilhas Crioulas tentou dar um passo diferente: olhar para a sociedade cabo-verdiana numa perspectiva histórica mais longa e propor a crioulidade como chave de leitura do seu funcionamento, para além das origens ou das etiquetas identitárias.

 

Os livros seguintes – Porto Memória, Repensar a Educação e Palavras de um Tempo que Passa – não mudam esse ponto de partida. Limitam-se a aplicar essas preocupações a domínios concretos: a cidade, a memória, a escola, a cidadania, o tempo presente. A crónica, em particular, tem servido como espaço de teste das ideias, em contacto directo com a realidade e com quem lê.

 

Vistos em conjunto, estes trinta anos de escrita não contam uma história linear nem fechada. Mostram antes um percurso feito de avanços, revisões e deslocamentos. Cabo Verde continua a mudar, e as perguntas mudam com ele. O essencial tem sido manter a escrita como forma de pensar, e não como lugar de certezas.

 

 

N.A. - Este é o post n.º 2.426

 

 

Manuel Brito-Semedo

 

 

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