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Esquina do tempo por Brito-Semedo © 2010 - 2015 ♦ Design de Teresa Alves
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Brito-Semedo, 10 Jan 13
A tradição oral sugere que as vozes da Morna antiga eram femininas e de cariz gutural. Talvez uma das últimas representantes, linha directa das ‘cantadeiras’, foi a cantora Hermínia, falecida em 2010.
O testemunho do António Aurélio Gonçalves, amador de música e da Morna, é verosímil. Segundo ele, a morna da Brava, cantada com voz mais adocicada, mais suave, teria chegado a S. Vicente por volta de 1916. Foi a partir de S. Vicente, em contacto com o canto do Brasil e do tango da Argentina que as vozes femininas e masculinas começaram a ter uma singular ‘catedral’, menos gutural, mais brilhante e romântica, algo nostálgica e melancólica. Entre outros, Bana, Ildo Lobo, Djack Monteiro, Cesária Évora, Fernando Queijas, Fantcha, Maria Alice, Titina, são os mais representativos desta forma de cantar a Morna.
Em S. Vicente, muitas vezes os mestres compositores escolhiam eles próprios essas vozes que educavam nas noites de serenata, nos bares, nos convívios, nos bailes. Ti Goi, compositor, foi um talentoso ‘descobridor’ dessas vozes. A rádio Club tinha também essa vocação e também a Rádio Barlavento: faziam-se gravações em discos de 78 rotações e os produtores dessa época tinham bom gosto, intuição, paciência, entusiasmo.
A grandeza dessas ‘catedrais’, dessas vozes únicas, que interpretam as Mornas com essa singularidade, que tem a ver com a parte física do corpo, mas também com a ‘alma’, ainda existe. Mas alguns faleceram, outros abandonaram o palco, outros, por doença, entrada nos anos ou falta de manutenção da ‘catedral vocal’, perderam pouco a pouco as faculdades.
Algures esta linhagem deve existir.
Direitos protegidos.
Vasco Martins/IIPC
Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...
Triste com a notícia de um bom amigo que nos deixo...
Gostei muito.Batcha.
Cara Amiga e Colega, obrigado pela leitura atenta ...
Gostei do seu texto. Assertivo, muito simbólico e ...
Cara Amiga, Os grupos de Carnaval de SonCent têm t...
Feliz esta época em que se pode armazenar todas as vozes que vão aparecendo e que mais tarde serão ouvidas com admiração e saudade. Lendo os nomes acima mencionados, lembro-me de uma pessoa que ouvia por volta de 1949 mas que não deve ter deixado registo nenhum: - Arminda, também conhecida por "Golpes". Nessa altura ninguém se interessava pelos registos e muita coisa bela só ficou no nosso pensamento.
Acompanhei o desabrochar da Cesària e da Tintina. Ouvimos todos os cantores actuais, apreciamos e, naturalmente, escolhemos nossos preferidos, sem com isso querer dizer que se trata dos melhores entre todos, e eu adoro ouvir também algumas pessoas não citadas. Em homenagem e por ordem alfabética: - Arminda ("Sofia Loren"), Gardénia, o "King Cole cabo-verdeano" Djosinha.
Aquando da minha última passagem por S.Vicente ouvi cantar, pela única vez, uma pessoa que adorei mas que não tem nenhum registo: - Diva.
Obrigado, Amigo, por homenagear hoje a Herminia.