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Esquina do tempo por Brito-Semedo © 2010 - 2015 ♦ Design de Teresa Alves
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Brito-Semedo, 12 Mar 26

Há datas que não pertencem apenas ao calendário: pertencem à memória profunda de um país. Em Março de 1936, um pequeno grupo de jovens escritores ousou dizer Cabo Verde de outra maneira. Chamaram a esse gesto Claridade – e, desde então, a palavra ganhou nova densidade nas ilhas.
Brito-Semedo, 11 Mar 26
Brito-Semedo, 9 Mar 26

Na última Alfinetada falei do ponto da ironia e da utilidade que teria um pequeno sinal gráfico capaz de avisar o leitor de que, a partir dali, convém ler com algum cuidado – ou, pelo menos, com algum sentido de humor. A ideia pode parecer moderna. Na verdade, não é: muito antes de a palavra circular com naturalidade nas conversas literárias das ilhas, Nhô Roque – António Aurélio Gonçalves – já tinha levado a ironia suficientemente a sério para lhe dedicar um pequeno ensaio.
Brito-Semedo, 6 Mar 26

Há tempos, numa conversa com a editora de Germano Almeida, surgiu uma observação que me ficou na memória. Muitos alunos lêem os seus livros como se tudo fosse literal. Seguem a história, acompanham as personagens, mas deixam escapar aquilo que, na verdade, sustenta grande parte da arquitectura da escrita: a ironia.
A ironia não é mentira nem sarcasmo fácil. É, antes, uma forma refinada de inteligência literária. O autor afirma, mas desloca o sentido; elogia, mas deixa no ar uma interrogação; exagera apenas o suficiente para revelar a pequena comédia humana que se esconde nas situações mais banais do quotidiano.
Brito-Semedo, 4 Mar 26

Li com interesse o anúncio da realização da 1.ª Feira Internacional do Livro de Cabo Verde. A iniciativa merece aplauso. Um país que lê é um país que pensa – e um país que pensa dificilmente se perde de si próprio.
Brito-Semedo, 2 Mar 26

Em Março de 1936, quando surge Claridade em São Vicente, Cabo Verde existia como território administrado, mas ainda não se tinha assumido plenamente como sujeito de pensamento. Era descrito a partir de fora, enquadrado em categorias alheias, explicado por narrativas que raramente partiam da sua experiência concreta.
A revista não apresentou manifesto nem proclamou rupturas estridentes. Fez algo mais exigente: começou a olhar o país por dentro.
Brito-Semedo, 27 Fev 26

Legenda: Entre a língua que se pensa e a língua que se escreve
Numa sala de aula qualquer do arquipélago, uma criança levanta o dedo, pensa em crioulo e responde em português. Nesse intervalo mínimo – quase invisível – cabe uma parte decisiva da história cultural de Cabo Verde. A UNESCO, em 1999, declara que a educação deve começar na língua materna, princípio justo e humanamente irrefutável. Mas quando essa verdade, pensada à escala do mundo, chega às ilhas, encontra uma realidade mais densa do que supõe.
Brito-Semedo, 26 Fev 26

A realização, em finais de Maio, da primeira Cimeira das Nações Crioulas por iniciativa da Presidência da República sugere que Cabo Verde entra numa nova fase da sua reflexão sobre a crioulidade. Mais do que um encontro internacional, o momento convida a pensar se essa experiência histórica, durante muito tempo tratada sobretudo pela literatura e pelo ensaio, poderá tornar-se referência para a acção política e para a projecção atlântica do país.
Brito-Semedo, 20 Fev 26

A primeira história geral do arquipélago disponível em língua inglesa, enquadrada numa tapeçaria regional, oceânica e global mais ampla.
Brito-Semedo, 17 Fev 26

O debate em torno da expressão “nação crioula” tem mostrado, acima de tudo, a dificuldade em pensar Cabo Verde sem recorrer a fórmulas simples. Entre a vontade de ser o primeiro e o receio de ser apenas mais um, perde-se o essencial: compreender a história do país.
Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...
Triste com a notícia de um bom amigo que nos deixo...
Gostei muito.Batcha.
Cara Amiga e Colega, obrigado pela leitura atenta ...
Gostei do seu texto. Assertivo, muito simbólico e ...
Cara Amiga, Os grupos de Carnaval de SonCent têm t...