Recomendações de consulta
Assuntos culturais
Bibliotecas Virtuais
Blogues Parceiros
Documentários
Instituições Ensino Superior
Para mais consulta
Esquina do tempo por Brito-Semedo © 2010 - 2015 ♦ Design de Teresa Alves
Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Brito-Semedo, 10 Fev 16
Brito-Semedo, 25 Fev 15
Foto Arquivo Fátima Gonçalves
O determinismo do séc. XIX veicula-se na literatura da segunda metade do século com o Realismo-Naturalista, de que são figuras máximas os escritores Flaubert e Émile Zola, na França, Charles Dickens, na Inglaterra, Tolstoi, na Rússia, Antero de Quental, em Portugal, escritores esses que terão exercido maior ou menor influência sobre António Aurélio Gonçalves[1].
A filosofia determinista tende a acentuar a ideia da inevitabilidade de um acontecimento, enquanto o homem se sente subjugado por forças estranhas, que limitam e suprimem a sua aparente liberdade.
É devido ao determinismo que se diz que Xandinha estava a cumprir um destino ou é o próprio Cristiano a queixar-se da sua sorte:
“Eu era daqueles que dão volta ao mundo e regressam com as mãos vazias. Saciei-me de ver outros passar-me à frente, ajuntar cabedais, conquistar o seu quinhão de felicidade, mas eu?... Tinha nascido para ser explorado pela cadeia da vida”.
Bitinha, uma das “virgens loucas”, justifica-se: “Quando eu sinto o Lombo a chamar-me, lá [em casa da mãe] é que vou acabar o meu dia […]. Mamã não quer compreender que cada um vem a este mundo com um destino”.
Brito-Semedo, 21 Fev 15
O que significa Cultura? Segundo o antropólogo estruturalista C. Lévi-Strauss (1908 – 2009), é um conjunto de sistemas simbólicos: a linguagem, as relações de parentesco, a religião, as relações económicas. Por outras palavras, é um modo não-genético de transmissão existente em uma comunidade contínua, entendendo-se por comunidade uma população que tem a mesma cultura. Pode-se assim dizer que Cultura refere-se ao que quer que seja transmitido não geneticamente, entendendo-se dessa afirmação que essas duas noções, Cultura e Comunidade, estão intimamente ligadas.
Estabelecida a noção de Cultura, ela remete-nos para uma outra que é a da Identidade, ou seja, a maneira como os indivíduos e os grupos se revêem e se definem nas suas semelhanças e diferenças relativamente a outros indivíduos e grupos.
Este termo Identidade comporta um aspecto subjectivo (a percepção da auto-identificação e da continuidade da própria existência do indivíduo no tempo e no espaço) e um aspecto relacional e colectivo (a percepção de que os outros lhe reconhecem essa identificação e continuidade).
O longo processo de formação da nação cabo-verdiana foi determinante para que, muito cedo, surgisse o sentimento e a consciência de uma identidade individual e nacional, como expressão de uma cultura singular que caracteriza o cabo-verdiano como tal e o distingue enquanto povo. É a tomada dessa consciência em relação a outros grupos humanos que o leva a valorizar a sua identidade e a desenvolver uma contestação cultural face ao domínio colonial. A consciência dessa identidade é ainda hoje muito forte no cabo-verdiano, sobremaneira evidente no seu discurso quotidiano e bem assim na coesão cultural das comunidades emigradas.
Brito-Semedo, 19 Out 14
(Sal, 25.11.1953 – Praia, 20.10.2004)
“Um homem só está morto
quando ninguém mais pensa nele!”
BERTOLT BRECHET
Há dez anos falecia na cidade da Praia Ildo Lobo, considerado uma das melhores vozes cabo-verdianas.
Para assinalar a data, um grupo de Amigos vai reunir-se amanhã, dia 20 de Outubro, pelas 17h30, no Cemitério da Várzea, para uma singela homenagem.
Estão todos convidados a comparecer.
___________
Imagens da homenagem. Fotos gentileza de Roland Anhorn.
Brito-Semedo, 17 Set 14
Para o Amigo Abraão Vicente, uma Voz Crítica
Na SonCente, sempre que se fala ou se invoca um defunto, usa-se a expressão nô trá bóca de môrto e aproveita-se para tomar uma bebida, o que se entende como deixar de falar no dito, com o enxaguar da boca, e esconjurar a própria morte.
Até aos anos sessenta de mil e novecentos, altura em que se passou a implementar o projeto de urbanização do descampado por trás da Chã de Cemitério, conhecido entre nós por “terra d’ índio, por ser de terra solta vermelha, abrindo a Avenida da Holanda e dando origem à Chã de Monte Sossego com construções de prédios de apartamentos, havia dois “cemitérios velhos”, um deles dos ingleses e um outro de gente da terra, desactivado desde que se construiu o “cemitério novo” no seguimento da estrada para a Ribeira de Julião, o nosso dezoito-dois-oito ou o Nha Marquinha.
A nossa casa ficava numa renque de casinhas pequenas situadas nas imediações desses dois cemitérios, virada para a estrada que desemboca no cemitério novo, baptizada de Avenida Manuel de Matos (1907-1962), em homenagem a esse benemérito sanvicentino e um dos donos da Fábrica Favorita.
Vivendo a portas-meias com os mortos, melhor dizendo, com o lugar dos defuntos, chegando, inclusivamente, a saltar os muros do cemitério para ali ir brincar, em companhia de outros coleguinhas (nunca sózinho nem ao fim do dia, credo!), era habitual, quase que diariamente, ver passar cortejos fúnebros e, no regresso, ajudar a lavar os cálices da aguardente que a minha Mãi-Dona vendia para os homens e as mulheres mais velhas trá bóca de môrto – “tirar a boca do morto” – muitas vezes com a desculpa de estarem com a garganta seca e com a poeira do cemitério.
Hábito antigo esse que ficou em que, sempre que numa conversa se fala ou se invoca um defunto, usar-se a expressão trá bóca de môrto e tomar um gole, que é como quem diz, deixar de falar no dito, enxaguar a boca e esconjurar a própria morte.
Brito-Semedo, 1 Jul 14
Brito-Semedo, 5 Mai 14
Singela Homenagem a Vasco Graça Moura
Há quem leia e traduza Miller, Sade e Genet.
Outros, como o Graça Moura, preferem vinhos mais antigos, manjares doutras eras, sabendo a Petrarca, Dante e Shakespeare com que alguns reis, quiçá um rol de príncipes de requintado saber e paladar, porventura um ou outro papa, animavam suas áureas taças e talheres de prata.
Com as lágrimas, digo tinta de um tinteiro quase seco e uma pena de pato grafei esta prosa à guisa de singela homenagem.
- Arménio Vieira, Pracinha da Escola Grande (Praia), 27 de Abril de 2014
NOTA: Ver, a propósito, o despacho da Lusa
Brito-Semedo, 1 Mar 14
"Respondendo a uma reivindicação antiga da sociedade Mindelense, e sob o lema 'Viva o Nosso Carnaval', os Correios de Cabo Verde emitiram uma série constituída por três selos em homenagem ao carnaval, sendo dois alusivos ao carnaval de São Vicente, um dedicado ao desfile dito oficial e outro às manifestações populares, que encontram nos Mandingas, a sua expressão máxima, e o terceiro em homenagem ao carnaval de São Nicolau.
A emissão foi confeccionada pela Casa Impressora Francesa Cartor Security Printer e tem uma tiragem de 100.000 exemplares, na taxa de 60$00, correspondente ao porte de uma correspondência internacional.
Os interessados poderão adquirir os selos nos balcões das Agências dos Correios e na Loja Filatélica da Praia. Para mais informações, contactar pelo telefone ( 238) 2608762 ou pelo e-mail filatelia@correios.cv".
Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...
Triste com a notícia de um bom amigo que nos deixo...
Gostei muito.Batcha.
Cara Amiga e Colega, obrigado pela leitura atenta ...
Gostei do seu texto. Assertivo, muito simbólico e ...
Cara Amiga, Os grupos de Carnaval de SonCent têm t...