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ARnaldo França - 2010.jpg

 

 

Há cem anos, na Praia, nasceu Arnaldo França, homem de saber sereno e palavra limpa. Poeta, ensaísta, professor e servidor público, fez da cultura um exercício de rigor e de entrega. Viveu entre a discrição e a lucidez, sem nunca buscar protagonismo. Preferiu o trabalho paciente, a construção sólida, a lealdade às ideias e às pessoas.

 

Foi co-fundador da revista Certeza, que deu voz a uma geração em busca de pensamento próprio, e director da revista Raízes, onde ajudou a consolidar a reflexão crítica sobre a identidade cabo-verdiana. Serviu o Estado com a mesma ética com que ensinou, convicto de que educar é também cuidar do país.

 

Professor de várias gerações, ajudou a erguer o primeiro curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses e traduziu poetas de duas margens – de Camões a Corsino Fortes – com a fidelidade de quem reconhece nas palavras o território mais puro da pertença. A sua escrita, clara e exacta, foi sempre uma forma de serviço.

 

Entre tantos papéis – funcionário, mestre, editor, tradutor –, permaneceu o mesmo homem inteiro: atento, discreto, justo. Faleceu em 2015, deixando uma obra dispersa mas essencial, mais tarde organizada pelo Professor Alberto Carvalho sob o título Arnaldo França, uma obra conversável – poesia e prosa (2021), que reuniu o legado poético e ensaístico do autor.

 

O seu nome perpetua-se também no Prémio Literário Arnaldo França, instituído pela Imprensa Nacional, que distingue anualmente obras inéditas de autores cabo-verdianos, promovendo a língua portuguesa e homenageando uma das figuras maiores da literatura e da cultura de Cabo Verde. Um prémio que prolonga no tempo a claridade e o rigor que marcaram a sua vida.

 

Hoje, no centenário do seu nascimento, não há cerimónias nem discursos – apenas o afecto e a gratidão dos que com ele aprenderam a olhar o mundo com serenidade e exigência.

 

“Sejais vós ao menos infância renovada da minha vida,

A colher uma a uma as pétalas dispersas

Da grinalda dos sonhos interditos.”

 

Arnaldo França – mestre, exemplo e claridade.

 

 

N.A. – Esta crónica faz parte da série Exaltas, dedicada a reconhecer e celebrar o que eleva o país – os gestos, as ideias e as conquistas que fazem de Cabo Verde uma nação de alma grande.

 

 

Manuel Brito-Semedo

 

 

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