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Brito-Semedo, 2 Mar 26

Em Março de 1936, quando surge Claridade em São Vicente, Cabo Verde existia como território administrado, mas ainda não se tinha assumido plenamente como sujeito de pensamento. Era descrito a partir de fora, enquadrado em categorias alheias, explicado por narrativas que raramente partiam da sua experiência concreta.
A revista não apresentou manifesto nem proclamou rupturas estridentes. Fez algo mais exigente: começou a olhar o país por dentro.
Esse gesto deslocou o eixo da enunciação. A seca deixou de figurar apenas como calamidade recorrente e passou a ser compreendida como condição histórica. A fome deixou de ser fatalidade abstracta e tornou-se memória colectiva. A emigração revelou-se estratégia social. A língua do povo entrou na literatura como expressão legítima da experiência vivida.
A revista não inventou Cabo Verde; ensinou-o a reconhecer-se.
Ao alterar o ponto de vista, transformou o arquipélago de objecto descrito em sujeito que se observa. A literatura deixou de reproduzir modelos exteriores e passou a interrogar a realidade concreta. A ruptura foi silenciosa, mas estruturante.
Noventa anos depois, também em Março, regressamos a esse gesto inaugural. Não para o monumentalizar, mas para o compreender. O que permanece não é apenas um conjunto de textos, mas uma atitude intelectual: pensar a partir da própria história, aceitar a ambivalência, recusar simplificações.
Em Março de 1936, o país começou a olhar-se.
Noventa anos depois, continua a precisar desse exercício.
Nota | Curtas – Apontamentos breves sobre lugares, gestos e episódios do quotidiano que o tempo tende a apagar.
– Manuel Brito-Semedo
Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...
Triste com a notícia de um bom amigo que nos deixo...
Gostei muito.Batcha.
Cara Amiga e Colega, obrigado pela leitura atenta ...
Gostei do seu texto. Assertivo, muito simbólico e ...
Cara Amiga, Os grupos de Carnaval de SonCent têm t...