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  <title>Esquina do Tempo</title>
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  <description>Esquina do Tempo - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Fri, 13 Mar 2026 20:58:39 GMT</lastBuildDate>
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    <title>Esquina do Tempo</title>
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  <pubDate>Fri, 13 Mar 2026 20:58:00 GMT</pubDate>
  <title>Africanidade ou Crioulidade? Um falso dilema cabo-verdiano</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/africanidade-ou-crioulidade-um-falso-767295</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;ChatGPT Image 10_03_2026, 18_51_09.png&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B8f06c899/22846194_q3Z5M.png&quot; style=&quot;width: 480px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;pre style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Cabo Verde no Atlântico&lt;/pre&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pensar Cabo Verde não é escolher entre pertenças, mas compreender a trajectória histórica que as tornou inseparáveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;Há perguntas que regressam porque permanecem por esclarecer. Africanidade ou crioulidade? A interrogação reaparece no debate público cabo-verdiano como se a identidade nacional dependesse de uma opção ainda por fazer. Não depende. Mais do que optar entre polos, importa reconhecer que africanidade e crioulidade correspondem a momentos históricos distintos e a exigências diferentes da construção nacional. A sua oposição, tal como hoje é apresentada, constitui um falso dilema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre africanidade e crioulidade inscreve-se uma das tensões persistentes do pensamento cabo-verdiano no pós-independência. Não se trata de uma alternativa exclusiva, mas de um campo de mediação histórica onde se cruzam a urgência da afirmação soberana e a necessidade de compreender uma experiência social singular, moldada pela insularidade, pela escassez e pela condição atlântica do arquipélago – uma geografia de limites que gerou, paradoxalmente, uma cultura de circulação e abertura ao mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A lição ainda actual da Claridade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cabo Verde começou a interrogar-se muito antes de 1975. A geração da &lt;em&gt;Claridade&lt;/em&gt; recusou explicações essencialistas e observou o país a partir da sua realidade concreta. Ao reconhecer a dureza das condições materiais, a fragilidade ecológica, a insularidade e a emigração como factores estruturantes, inaugurou uma atitude crítica que continua a marcar o pensamento nacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais do que um movimento literário, a &lt;em&gt;Claridade&lt;/em&gt; foi um gesto fundador de modernidade. Ao legitimar o quotidiano, a língua do povo e a experiência insular como matéria de reflexão, abriu caminho para uma concepção da identidade como construção histórica, e não como herança imutável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Baltasar Lopes lembrava que o cabo-verdiano não se explicava por uma origem abstracta, mas pela história concreta que o formara. Ser cabo-verdiano não é pertencer a uma essência: é viver uma condição histórica específica, moldada pela adaptação, pela resistência e pela reinvenção constante perante circunstâncias adversas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa herança claridosa recorda que a identidade não é um dado fixo, mas uma tarefa. Um processo contínuo de leitura do passado e de interpretação do presente, sempre aberto a revisões à medida que o país evolui e se confronta com novos desafios, incluindo os que decorrem da globalização, da mobilidade crescente e da redefinição das fronteiras culturais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Africanidade: a resposta da urgência&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No pós-independência, a africanidade surgiu como resposta política imediata ao colonialismo. Era necessária uma ruptura simbólica clara. Cabo Verde precisava de se reinscrever no continente africano e afirmar a sua pertença a um espaço histórico do qual fora simbolicamente afastado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa gramática de afirmação soberana garantiu coesão, legitimidade e reconhecimento internacional. Sem ela, a independência teria ficado incompleta no plano simbólico. Revelou, contudo, limites quando passou a ser tratada como explicação identitária total, desligada da complexidade histórica do país.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao privilegiar a ruptura linear e a afirmação exclusiva, esta leitura tende a simplificar a experiência cabo-verdiana. A insularidade, a crioulidade e a mediação atlântica surgem então como ambiguidades a resolver, quando constituem, na verdade, a própria estrutura da experiência histórica do arquipélago.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ignorar essa complexidade significa reduzir a trajectória nacional a uma narrativa parcial, incapaz de abarcar a riqueza das suas múltiplas influências e a singularidade da sua formação histórica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Crioulidade: a leitura do tempo longo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A crioulidade emerge num tempo diferente, de maturação crítica e distanciamento reflexivo. Não nasce da urgência política, mas da necessidade de compreender a estrutura profunda da sociedade cabo-verdiana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A crioulização é um processo histórico iniciado no século XV; a crioulidade é a estrutura social e cultural que dele resulta. Cabo Verde não é apenas africano nem europeu. É uma experiência atlântica singular, marcada pela escravatura, pela mestiçagem, pela insularidade e pela mobilidade permanente entre ilhas e continentes, prolongada pela diáspora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A crioulidade não oferece conforto identitário nem respostas simplificadoras. Obriga a reconhecer a mediação e a ambivalência como condições estruturais, integrando língua, cultura, música, oralidade e diáspora como arquivos vivos da história social. É nessa articulação dinâmica que reside a singularidade cabo-verdiana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Compreender Cabo Verde a partir da crioulidade não significa negar a africanidade, mas situá-la numa trajectória mais ampla, onde diferentes heranças se cruzam, se confrontam e se transformam ao longo do tempo, produzindo uma identidade simultaneamente plural e coerente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um dilema que não existe&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O equívoco nasce da confusão entre tempos históricos distintos. A africanidade corresponde ao momento da fundação soberana; a crioulidade, ao da maturação democrática e da complexidade social.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cabo Verde não tem de escolher. A sua africanidade é vivida em condição crioula. Negar uma dessas dimensões é amputar a experiência histórica e empobrecer o futuro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Africanidade e crioulidade não são identidades concorrentes, mas dimensões de uma mesma trajectória histórica. Persistir nessa oposição empobrece a leitura do país e bloqueia a capacidade de pensar o futuro com lucidez.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O verdadeiro desafio não é escolher entre africanidade e crioulidade, mas compreender como ambas se articulam num projecto colectivo mais consciente da sua história e mais livre nas suas escolhas. Porque a maturidade de uma nação mede-se pela capacidade de integrar as suas heranças sem as transformar em fronteiras internas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pensar Cabo Verde hoje exige precisamente isso: abandonar dilemas artificiais e assumir a complexidade como condição de existência. Só assim a identidade deixa de ser campo de disputa para se tornar espaço de encontro – um lugar onde passado e futuro deixam de se excluir e onde a diversidade se transforma em horizonte de construção comum.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E talvez seja essa a tarefa mais exigente da nossa geração: aprender a olhar o país sem simplificações, reconhecendo que a sua força reside precisamente naquilo que o torna difícil de definir. Cabo Verde não é uma síntese acabada, mas um processo em curso – uma nação que se constrói no tempo longo, entre a memória e o horizonte, entre as ilhas e o mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt; – &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <category>figuras e factos</category>
  <category>crioulidade</category>
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  <pubDate>Fri, 06 Mar 2026 16:10:00 GMT</pubDate>
  <title>O sinal da ironia</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/o-sinal-da-ironia-764932</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Germano Almeida.png&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B3804c493/22845859_wT4e0.png&quot; style=&quot;width: 600px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há tempos, numa conversa com a editora de Germano Almeida, surgiu uma observação que me ficou na memória. Muitos alunos lêem os seus livros como se tudo fosse literal. Seguem a história, acompanham as personagens, mas deixam escapar aquilo que, na verdade, sustenta grande parte da arquitectura da escrita: a ironia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A ironia não é mentira nem sarcasmo fácil. É, antes, uma forma refinada de inteligência literária. O autor afirma, mas desloca o sentido; elogia, mas deixa no ar uma interrogação; exagera apenas o suficiente para revelar a pequena comédia humana que se esconde nas situações mais banais do quotidiano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;Foi então que, entre a observação e o sorriso, ela e eu acabámos por concordar numa ideia simples: criar um pequeno sinal gráfico de ironia. Nada de elaborado. Apenas um símbolo discreto colocado no início e no fim de certos trechos, como quem diz ao leitor que, a partir dali, as palavras podem não estar exactamente onde parecem estar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Seria, digamos, um piscar de olho tipográfico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A proposta tem algo de pedagógico e algo de divertido. Mas confesso que, desde então, a ideia não me saiu da cabeça. Porque, pensando bem, um sinal desses talvez não fosse útil apenas para orientar leitores de romances.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez um dia inventemos esse sinal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há discursos que se apresentam com toda a solenidade institucional, mas que, vistos com um pouco de distância, pertencem mais ao território da comédia involuntária do que ao da reflexão séria. Um pequeno símbolo de ironia ajudaria, nesses casos, a orientar o cidadão: atenção, daqui para a frente convém ler com cuidado – ou, pelo menos, com algum sentido de humor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É por isso que gosto de escrever Alfinetadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não para ferir nem para acusar, mas para lembrar que, em certas circunstâncias, a ironia continua a ser uma das formas mais elegantes de dizer a verdade. Porque há momentos em que um país se revela menos no que proclama com solenidade – e mais naquilo que, sem dar por isso, acaba por nos fazer sorrir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Até lá, resta confiar numa coisa antiga: a inteligência do leitor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;N.A.&lt;/strong&gt; – Esta crónica faz parte da série Alfinetadas, onde se afinam ideias, se questionam anúncios e se convoca o bom senso, mesmo quando há confettis no ar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;– &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <category>crioula mbs editora</category>
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  <pubDate>Mon, 02 Mar 2026 19:25:00 GMT</pubDate>
  <title>Claridade, 90 anos: a aprendizagem do olhar próprio</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/claridade-90-anos-a-aprendizagem-do-764168</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Claridade.png&quot; height=&quot;562&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bab04a7c3/22845654_cdzba.png&quot; style=&quot;float: left; width: 375px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;375&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em Março de 1936, quando surge &lt;em&gt;Claridade&lt;/em&gt; em São Vicente, Cabo Verde existia como território administrado, mas ainda não se tinha assumido plenamente como sujeito de pensamento. Era descrito a partir de fora, enquadrado em categorias alheias, explicado por narrativas que raramente partiam da sua experiência concreta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A revista não apresentou manifesto nem proclamou rupturas estridentes. Fez algo mais exigente: começou a olhar o país por dentro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;Esse gesto deslocou o eixo da enunciação. A seca deixou de figurar apenas como calamidade recorrente e passou a ser compreendida como condição histórica. A fome deixou de ser fatalidade abstracta e tornou-se memória colectiva. A emigração revelou-se estratégia social. A língua do povo entrou na literatura como expressão legítima da experiência vivida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A revista não inventou Cabo Verde; ensinou-o a reconhecer-se.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao alterar o ponto de vista, transformou o arquipélago de objecto descrito em sujeito que se observa. A literatura deixou de reproduzir modelos exteriores e passou a interrogar a realidade concreta. A ruptura foi silenciosa, mas estruturante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Noventa anos depois, também em Março, regressamos a esse gesto inaugural. Não para o monumentalizar, mas para o compreender. O que permanece não é apenas um conjunto de textos, mas uma atitude intelectual: pensar a partir da própria história, aceitar a ambivalência, recusar simplificações.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em Março de 1936, o país começou a olhar-se.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Noventa anos depois, continua a precisar desse exercício.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nota | Curtas&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;– Apontamentos breves sobre lugares, gestos e episódios do quotidiano que o tempo tende a apagar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;–&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 27 Feb 2026 11:23:00 GMT</pubDate>
  <title>Universalismo com sotaque</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/universalismo-com-sotaque-763750</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;ChatGPT Image 26_02_2026, 14_18_03.png&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B72062b0e/22845305_aMMWl.png&quot; style=&quot;width: 480px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;pre&gt;&lt;strong&gt;Legenda:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Entre a língua que se pensa e a língua que se escreve&lt;/em&gt;&lt;/pre&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Numa sala de aula qualquer do arquipélago, uma criança levanta o dedo, pensa em crioulo e responde em português. Nesse intervalo mínimo – quase invisível – cabe uma parte decisiva da história cultural de Cabo Verde. A UNESCO, em 1999, declara  que a educação deve começar na língua materna, princípio justo e humanamente irrefutável. Mas quando essa verdade, pensada à escala do mundo, chega às ilhas, encontra uma realidade mais densa do que supõe.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;Entre nós, a língua materna é o crioulo – plural nas suas variantes, íntimo na afectividade, absoluto na vida quotidiana. A língua da escola, da escrita e da projecção exterior continua a ser o português, herança histórica transformada em instrumento de mobilidade. Não é contradição: é uma arquitectura social própria, nascida da crioulização atlântica e consolidada por séculos de convivência funcional entre duas línguas. Aprende-se melhor na língua em que se pensa, dizem os estudos. Em Cabo Verde, pensa-se em crioulo e escreve-se em português, num bilinguismo assimétrico que é simultaneamente limite pedagógico e recurso civilizacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O universalismo raramente prevê o detalhe decisivo: o cabo-verdiano não é uma entidade uniforme, mas um arco de variantes insulares, cada uma enraizada numa história local. Integrá-lo plenamente no ensino implica escolhas normativas que são inevitavelmente políticas, porque tocam a sensibilidade das ilhas e a memória das comunidades. Nenhuma declaração internacional resolve essa equação por nós.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez por isso a questão não seja aplicar ou rejeitar o princípio, mas traduzi-lo com inteligência histórica. A UNESCO oferece orientações; Cabo Verde precisa de soluções próprias, coerentes com a sua experiência crioula. Não temos de salvar a língua materna – ela nunca esteve ameaçada na vida real do país. O desafio é institucionalizar uma evidência sem empobrecer a complexidade que a tornou possível.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porque, entre nós, até o universal chega com sotaque – e talvez seja precisamente esse sotaque que nos define.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nota | Curtas &lt;/strong&gt;– Apontamentos breves sobre lugares, gestos e episódios do quotidiano que o tempo tende a apagar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;– &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 26 Feb 2026 02:31:00 GMT</pubDate>
  <title>Cabo Verde e a hora Crioula</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/cabo-verde-e-a-hora-crioula-762961</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;ChatGPT Image 25_02_2026, 21_39_20.png&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B1806aa2a/22845194_dCukU.png&quot; style=&quot;width: 480px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A realização, em finais de Maio, da primeira Cimeira das Nações Crioulas por iniciativa da Presidência da República sugere que Cabo Verde entra numa nova fase da sua reflexão sobre a crioulidade. Mais do que um encontro internacional, o momento convida a pensar se essa experiência histórica, durante muito tempo tratada sobretudo pela literatura e pelo ensaio, poderá tornar-se referência para a acção política e para a projecção atlântica do país.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Entre a memória e a celebração&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Visto das ilhas, onde o horizonte é sempre mar e distância, o calendário adquire uma espessura própria. A anunciada Cimeira das Nações Crioulas, prevista para finais de Maio por iniciativa da Presidência da República, confere a esse tempo um significado que ultrapassa a circunstância diplomática. A realizar-se entre a memória da liberdade evocada em Abril e a celebração da independência em Julho, a cimeira situa-se simbolicamente nesse intervalo em que o país se pensa antes de se celebrar. É um tempo de balanço discreto, em que a memória ainda pesa e o futuro ainda não se fixou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Colocar a crioulidade nesse horizonte temporal sugere a intenção de a situar não apenas no plano cultural, mas também no da consciência histórica do país. Durante muito tempo, foi sobretudo palavra da literatura, da reflexão ensaística e da antropologia – uma palavra que ajudava a compreender quem éramos quando ainda não sabíamos bem como dizer-nos. A sua entrada no vocabulário institucional do Estado indica uma deslocação significativa: aquilo que servia para interpretar o passado começa a ser convocado para orientar o futuro. Essa deslocação não é neutra, porque implica transformar uma categoria de interpretação numa categoria de acção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O facto de a iniciativa partir da Presidência da República transforma o encontro num gesto de Estado. A crioulidade atravessa, assim, a distância entre a página escrita e a esfera do poder, passando da conversa intelectual para a linguagem das instituições. Esse movimento pode ser lido como reconhecimento de uma experiência histórica que sempre definiu Cabo Verde: a arte de viver entre mundos, de transformar a escassez em invenção e a distância em relação, de fazer da vulnerabilidade uma forma de adaptação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas a data também aconselha prudência. Maio situa-se num tempo intermédio do calendário simbólico nacional e recorda que a crioulidade não é um conceito abstracto, mas resultado de processos históricos densos, feitos de encontros, conflitos e adaptações sucessivas. Se o encontro souber preservar essa complexidade, poderá abrir caminhos de diálogo entre sociedades que partilham experiências semelhantes. Caso contrário, arrisca-se a reduzir uma história exigente a uma fórmula diplomática.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Da palavra à política&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma das questões que a cimeira inevitavelmente coloca é a passagem da crioulidade do plano da palavra para o da política. Durante décadas, funcionou sobretudo como chave de leitura do país e da sua formação histórica. A possibilidade de se tornar referência de cooperação internacional traduz uma mudança de escala que exige cautela e lucidez, num contexto global marcado por tensões identitárias e reconfigurações geopolíticas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por um lado, pode favorecer a criação de redes de colaboração nas áreas da educação, da cultura, da investigação e da mobilidade académica. Por outro, pode expor o conceito ao risco de simplificação, transformando uma realidade histórica complexa num rótulo demasiado amplo. A crioulidade sempre resistiu a definições estreitas porque nasce de processos abertos e inacabados, como o próprio percurso das ilhas, onde cada geração reinventa a herança recebida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cabo Verde tem, contudo, condições singulares para promover esse diálogo. Pela sua história, pela extensão da sua diáspora e pela sua posição atlântica, o arquipélago habituou-se a existir como lugar de passagem e de encontro, onde nada chega intacto e tudo se transforma. A cimeira poderá reforçar essa vocação, afirmando o país como ponto de convergência entre sociedades que aprenderam a viver na intersecção de culturas e línguas, entre pertença local e circulação global.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Uma oportunidade atlântica&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Realizada nesse período, a cimeira pode contribuir para afirmar Cabo Verde como espaço de encontro entre culturas crioulas dispersas, reforçando a sua vocação atlântica – esse lugar onde as ilhas sempre aprenderam a fazer do mar não uma fronteira, mas uma ligação. O essencial será que a crioulidade não surja apenas como tema de discursos, mas como princípio orientador de iniciativas concretas, capazes de traduzir a memória em projecto e a afinidade cultural em cooperação efectiva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se conseguir transformar em cooperação duradoura aquilo que hoje surge como intenção política, o encontro poderá marcar um novo momento na forma como o país se relaciona consigo próprio e com o mundo. Caso contrário, ficará como mais um episódio simbólico, lembrado apenas pelo calendário, sem alterar as dinâmicas profundas que moldam o espaço atlântico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No fundo, a escolha de finais de Maio recorda que a crioulidade continua a ser uma experiência em construção, feita de memória e de expectativa. Talvez seja isso que melhor a define: uma maneira de habitar a distância sem a deixar tornar-se ausência, de viver entre margens sem renunciar à procura de um centro. Como as ilhas, separadas e ligadas ao mesmo tempo, a crioulidade existe nessa tensão entre dispersão e pertença.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez a hora crioula de que agora se fala seja, antes de tudo, a de um país que aprende a reconhecer-se na sua própria travessia. Como as ilhas, separadas e ligadas ao mesmo tempo, Cabo Verde continua a procurar o seu centro entre a memória e o futuro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;– &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 20 Feb 2026 14:49:00 GMT</pubDate>
  <title>&quot;Cabo Verde e o Atlântico Sul Crioulo – Uma Nova História&quot;</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
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  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;CV Creoule.jpg&quot; height=&quot;612&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B8406fa52/22844704_brJh6.jpeg&quot; style=&quot;float: left; width: 391px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;391&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A primeira história geral do arquipélago disponível em língua inglesa, enquadrada numa tapeçaria regional, oceânica e global mais ampla.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Descrição&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As ilhas de Cabo Verde são hoje um destino turístico popular, mas, para além dos guias de viagem, há pouco material publicado em inglês que aborde a sua história e cultura. Este livro oferece um relato acessível não apenas do passado das ilhas, mas também do seu lugar na história mais vasta das comunidades lusófonas do Atlântico Sul.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Habitadas pela primeira vez no século XV, as populações de Cabo Verde tiveram origens diversas. Algumas vieram de Portugal, outras chegaram como escravos provenientes da África continental, e um terceiro elemento foi constituído por exilados judeus da Península Ibérica. Desde os primeiros tempos, os habitantes desenvolveram uma cultura crioula mista, com a sua própria língua crioula de base portuguesa. Mantiveram relações estreitas com os povos da costa da Alta Guiné, onde muitos se fixaram, e com as ilhas da Guiné. Entretanto, o arquipélago tornou-se também um importante entreposto do tráfico atlântico de escravos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cabo Verde teve igualmente importância estratégica – a sua história deve ser compreendida num contexto global, mais amplo do que apenas o da história imperial portuguesa. Malyn Newitt preenche, assim, uma lacuna importante na bibliografia sobre a história atlântica, a escravatura e a diáspora africana no Atlântico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
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&lt;article class=&quot;text-token-text-primary w-full focus:outline-none [--shadow-height:45px] has-data-writing-block:pointer-events-none has-data-writing-block:-mt-(--shadow-height) has-data-writing-block:pt-(--shadow-height) [&amp;amp;:has([data-writing-block])&amp;gt;*]:pointer-events-auto scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]&quot; dir=&quot;auto&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
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&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Malyn Newitt, primeiro titular da Cátedra Charles Boxer no Departamento de História do King’s College de Londres, é autor de mais de vinte livros sobre a história africana e colonial portuguesa, incluindo &lt;em&gt;A Short History of Mozambique&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;The Zambezi: A History&lt;/em&gt;, ambos publicados pela Hurst.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
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&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Informação editorial&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Editora: C Hurst &amp; Co Publishers Ltd&lt;br /&gt;ISBN: 9781805264293&lt;br /&gt;Número de páginas: 296&lt;br /&gt;Dimensões: 216 × 138 mm&lt;br /&gt;Idioma: Inglês&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;z-0 flex min-h-[46px] justify-start&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/article&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;pointer-events-none h-px w-px absolute bottom-0&quot; aria-hidden=&quot;true&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;site-description medium&quot;&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.hurstpublishers.com/book/cape-verde-and-the-creole-south-atlantic/?mc_cid=aac7c71ac0&amp;amp;mc_eid=f795709501&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;HURST&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
An independent publisher since 1969&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;site-description medium&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;_________&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Promessa de um livro, não ainda o livro&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não li a obra, apenas a sua apresentação traduzida para português. E, no entanto, há apresentações que deixam entrever mais do que prometem: revelam a ambição de retirar Cabo Verde da condição de margem para o recolocar no centro do Atlântico crioulo. Só essa mudança de perspectiva já merece atenção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fica, porém, a necessária prudência. Uma apresentação anuncia – não demonstra. Diz-nos o que o livro aspira ser, não aquilo que efectivamente realiza. A medida decisiva estará na capacidade de escutar – ou não – a experiência vivida das ilhas: a escassez transformada em engenho, a emigração tornada destino, a cultura erguida como resposta à adversidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda assim, o sinal é inequívoco: Cabo Verde continua a obrigar o mundo a repensar o Atlântico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porque as ilhas não são apenas um ponto no mapa – são uma maneira singular de habitar o mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;– &lt;em&gt;Esquina do Tempo&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <category>livros recomendados</category>
  <category>crioulidade</category>
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  <pubDate>Tue, 17 Feb 2026 21:38:00 GMT</pubDate>
  <title>História, não troféu</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
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  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;ChatGPT Image 17_02_2026, 21_49_21.png&quot; height=&quot;386&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bff042ca3/22844519_zG7no.png&quot; style=&quot;width: 580px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;580&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O debate em torno da expressão “nação crioula” tem mostrado, acima de tudo, a dificuldade em pensar Cabo Verde sem recorrer a fórmulas simples. Entre a vontade de ser o primeiro e o receio de ser apenas mais um, perde-se o essencial: compreender a história do país.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;Cabo Verde não precisa de ser “o primeiro do mundo” para afirmar a sua identidade, nem a sua história cabe num troféu. A crioulidade não é uma medalha nem um slogan; é uma forma de explicar como nasceu uma sociedade nova, num arquipélago desabitado que se tornou ponto de encontro entre continentes e culturas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cabo Verde não é a primeira nação crioula do mundo; é, muito provavelmente, a primeira nação formada inteiramente por um processo de crioulização atlântica. Não é uma proclamação, é uma maneira de situar historicamente o país.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pensar Cabo Verde assim obriga a aceitar uma identidade feita de processos e de encontros, não de essências simples nem de narrativas confortáveis. Exige olhar para o passado com seriedade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um país sério vive de consciência histórica, não de troféus simbólicos. Não precisamos de medalhas para saber quem somos; precisamos de memória para não esquecer como nos tornámos o que somos. Cabo Verde sempre pertenceu a essa categoria — e é nela que melhor se reconhece.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;N.A.&lt;/strong&gt; – Esta crónica faz parte da série Alfinetadas, onde se afinam ideias, se questionam anúncios e se convoca o bom senso, mesmo quando há confettis no ar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;– &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <category>alfinetadas</category>
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  <category>crioula mbs editora</category>
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  <pubDate>Mon, 16 Feb 2026 11:36:00 GMT</pubDate>
  <title>O logótipo da CRIoula MBS Editora – Quando a palavra ganha forma</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/o-logotipo-da-crioula-mbs-editora-759613</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Logo CRIoula.jpg&quot; height=&quot;673&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bb206f229/22845976_Q9c1V.jpeg&quot; style=&quot;width: 550px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;550&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;pre style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Concepção Andreia Brandão&lt;/pre&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos textos anteriores, ficou delineado um percurso editorial construído sem pressa e sem ruído. Da escrita dispersa à edição em livro, a CRIoula MBS Editora pretende afirmar-se como um projecto organizado em ciclos, continuidades e escolhas conscientes. O Catálogo Editorial 2026 torna visível essa arquitectura; as Conversas no Poial vão levar ao encontro directo com leitores e criadores. Faltava ainda dar atenção a um elemento decisivo dessa construção: a identidade visual que acompanha e representa o projecto. O logótipo surge, assim, não como adorno, mas como parte integrante da sua coerência editorial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;A identidade visual da CRIoula MBS Editora assenta numa convicção simples: a forma participa do pensamento. A imagem, em vez de ilustrar a palavra, acompanha-a. Tal como os livros da casa, o logótipo privilegia clareza, sobriedade e duração, recusando a sedução imediata e o impacto efémero. Trata-se de uma opção consciente, alinhada com uma ideia de criação que aposta no tempo e não na pressa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No centro do logótipo encontra-se o búzio, símbolo forte do universo atlântico cabo-verdiano. Associado à memória, à travessia e ao chamamento, remete para uma temporalidade longa, feita de vozes acumuladas, viagens e histórias transmitidas. No contexto editorial a CRIoula MBS Editora funciona como metáfora da palavra que atravessa o tempo e ganha sentido na relação com quem a recebe. É uma imagem que convoca continuidade e responsabilidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O desenho é orgânico e aberto. Sugere movimento e fluidez, sem fechar significados nem impor leituras únicas. Evoca o gesto artesanal e o ritmo do mar, proporcionando uma leitura durável. Também aqui a opção é pela contenção significativa: cada elemento cumpre uma função e nada procura sobrepor-se ao essencial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A grafia &lt;strong&gt;CRIoula&lt;/strong&gt; é, por si só, um posicionamento. As letras iniciais em maiúscula – CRI – condensam criação, crítica e crioulidade enquanto eixos de leitura do mundo. Não funcionam como rótulo identitário, mas sim como orientação intelectual e ética. A terminação &lt;em&gt;oula&lt;/em&gt; remete para a mestiçagem linguística e cultural, para a vitalidade da língua e para a dimensão relacional da cultura crioula.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A designação &lt;strong&gt;MBS Editora&lt;/strong&gt;, colocada com discrição, cumpre a função de assinatura e de responsabilidade autoral, conferindo  enquadramento e rigor ao conjunto, sem competir com o nome nem lhe retirar centralidade. É nessa medida que se introduz o equilíbrio entre liberdade criativa e o compromisso editorial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A estrutura visual do logótipo é vertical e equilibrada. O símbolo ocupa o plano superior; o nome surge logo abaixo; a assinatura editorial encerra o conjunto. Esta hierarquia traduz uma ética clara: primeiro o sentido, depois a palavra, por fim a instituição que a sustenta. O espaço em branco integra a composição como elemento activo, criando margem para o olhar e para a leitura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A paleta cromática reforça esta leitura. O azul-turquesa, próximo do verde-mar, convoca o oceano, a viagem e a fluidez cultural. O ocre-terra remete para a raiz, a memória e a ancoragem. Assim, mar e terra coexistem sem hierarquias artificiais, num diálogo contínuo entre horizonte e chão, constituído pelas cores que situam o projecto no espaço atlântico e na sua história.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este logótipo, longe de marcar uma ruptura, consolida um caminho, dando forma visual a uma coerência já presente na escrita, nos livros e nas iniciativas públicas da CRIoula MBS Editora. A identidade visual fixa essa travessia, tornando legível uma ética de criação exigente e situada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Criar um texto, um livro ou um logótipo é um gesto de responsabilidade: escolher o que merece durar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Da escrita ao livro. Do livro à partilha. Da palavra à forma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nota&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A identidade visual e o logótipo da CRIoula MBS Editora resultam de um trabalho rigoroso de pesquisa e criação desenvolvido pela designer gráfica Andreia Brandão, cuja leitura atenta do projecto permitiu traduzir visualmente a sua ética e orientação editorial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;– &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <category>crioulidade</category>
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  <category>figuras e factos</category>
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  <pubDate>Tue, 06 Jan 2026 15:32:00 GMT</pubDate>
  <title>Conversas no Poial | Poial da Crioulidade</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/conversas-no-poial-poial-da-754411</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Poial.png&quot; height=&quot;600&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B1918d3c6/22836979_wWZ58.png&quot; style=&quot;width: 400px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;pre style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Conversa, escuta e comunidade&lt;/pre&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O poial foi, durante gerações, um lugar simples e essencial. À porta de casa, sentava-se para ver a rua, trocar palavras, ouvir histórias e deixar o tempo correr sem pressa. Ali se falava do quotidiano, mas também do mundo; ali se construía, sem o saber, uma forma de comunidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;As Conversas no Poial recuperam esse gesto antigo e trazem-no para o presente como proposta cultural e cívica. Não como nostalgia, mas como escolha consciente: criar um espaço de encontro em torno da palavra dita, da escuta atenta e do pensamento partilhado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Poial da Crioulidade nasce no seio da CRIoula MBS Editora como lugar simbólico e real onde se conversa sobre livros, ideias, memória, cultura e identidade. Parte-se, muitas vezes, de um texto ou de um autor, mas a conversa não se fecha num guião rígido. O essencial não é a lição, mas o diálogo; não é a resposta pronta, mas a pergunta bem colocada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Num tempo marcado pela aceleração, pela fragmentação e pela polarização do discurso público, as Conversas no Poial propõem o contrário: tempo, proximidade e reflexão. Sentar para conversar é aqui um acto cultural e político no sentido mais nobre – o de reconhecer o outro como interlocutor legítimo e a palavra como lugar de construção comum.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A crioulidade, entendida como experiência histórica plural, híbrida e inacabada, é o eixo central destas conversas. Não como conceito abstracto, mas como realidade vivida, feita de travessias, de encontros e de reinvenções sucessivas. Pensar a crioulidade no poial é recusá-la como rótulo e assumi-la como processo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As Conversas no Poial não pretendem substituir conferências, colóquios ou debates formais. Situam-se noutro registo: o da conversa pensada, acessível sem ser superficial, exigente sem ser hermética. Um espaço onde a palavra circula com liberdade, mas também com responsabilidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais do que um evento isolado, o Poial da Crioulidade afirma-se como ritual cultural: um lugar para regressar, reconhecer vozes, cruzar gerações e manter viva a ideia de que pensar em conjunto continua a ser uma das formas mais fecundas de cuidar da comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;– &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
  <comments>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/conversas-no-poial-poial-da-754411</comments>
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  <category>crioulidade</category>
  <category>figuras e factos</category>
  <category>crioula mbs editora</category>
  <category>livros</category>
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  <pubDate>Sat, 03 Jan 2026 14:39:00 GMT</pubDate>
  <title>Catálogo Editorial da CRIoula MBS Editora</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/catalogo-editorial-da-crioula-mbs-2026-753761</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;ChatGPT Image 3_01_2026, 14_05_45.png&quot; height=&quot;600&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B3818bc1e/22836977_ubhyj.png&quot; style=&quot;width: 400px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;pre class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Memória, reflexão e permanência editorial&lt;/pre&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há projectos que nascem para responder ao imediato e outros que se constroem para durar. A CRIoula MBS Editora pretende inscrever-se nesta segunda categoria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;Mais do que uma editora no sentido convencional, a CRIoula MBS Editora afirma-se como um projecto editorial de autor, pensado como espaço de permanência da palavra escrita, da memória cultural e da reflexão crítica sobre Cabo Verde e o seu lugar atlântico. Parte da convicção de que pensar é um acto fundador: reflectir, interrogar-se e revisitar a experiência colectiva é condição para criar, agir e projectar futuro. A escrita surge, assim, como exercício de autoconhecimento e como estímulo à imaginação cultural e cívica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A CRIoula MBS Editora nasce do cruzamento entre escrita, pensamento, arquivo e intervenção cívica – dimensões que têm marcado, ao longo de décadas, o percurso do autor. Não se limita a fixar memórias nem a organizar legados: procura compreender o passado para libertar possibilidades, transformando a reflexão em energia criativa e a palavra em instrumento de continuidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Catálogo Editorial da CRIoula MBS Editora organiza-se em torno de linhas claras, assumidas desde o início:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Escrita de intervenção e reflexão&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reúne ensaios, crónicas e textos de pensamento crítico sobre identidade, crioulidade, cultura, educação e cidadania. Trata-se de uma escrita que recusa a pressa do comentário efémero e aposta na densidade, no contexto e na responsabilidade da palavra pública. A reflexão não é aqui exercício contemplativo, mas gesto activo, capaz de iluminar escolhas, estimular criatividade e sustentar uma visão de futuro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Memória, cultura e património&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Inclui textos dedicados à memória urbana, às tradições culturais, às figuras marcantes da história intelectual cabo-verdiana e às experiências colectivas que ajudam a compreender o país para além das narrativas simplificadas. A memória é entendida não como nostalgia, mas como arquivo vivo e recurso crítico, indispensável para pensar o presente e imaginar novos caminhos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Oralidade, conversa e comunidade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O catálogo integra também textos e projectos que nascem da palavra dita – conferências, conversas públicas, encontros culturais – assumindo a oralidade como forma legítima de pensamento e transmissão de saber. A conversa é aqui entendida como prática criativa e comunitária, lugar onde o pensamento se constrói em comum e ganha vocação de acção cultural.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um projecto aberto&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assinalar (2026– ) no título do Catálogo não é um detalhe gráfico: é uma opção editorial consciente. A CRIoula MBS Editora não se apresenta como catálogo fechado, mas como projecto em construção, atento ao tempo que passa, às questões emergentes e às conversas que importa continuar. É um processo aberto, pensado para crescer, dialogar, corrigir-se e reinventar-se.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Num contexto cultural marcado pela dispersão, pela urgência e pela lógica do consumo rápido, a CRIoula MBS propõe o inverso: tempo, cuidado e permanência. Não pretende competir com grandes circuitos editoriais, mas afirmar uma escala própria, coerente com a ideia de crioulidade enquanto experiência histórica complexa, plural e inacabada – e, precisamente por isso, aberta ao futuro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A CRIoula MBS Editora parte da memória, atravessa o presente e escreve com os olhos postos no futuro. Porque pensar é criar horizonte e a palavra, quando cuidada, é semente de continuidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; – &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
  <comments>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/catalogo-editorial-da-crioula-mbs-2026-753761</comments>
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  <category>crioulidade</category>
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  <category>crioula mbs editora</category>
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  <pubDate>Thu, 01 Jan 2026 16:47:00 GMT</pubDate>
  <title>Da Esquina ao Livro: nasce a CRIoula MBS Editora</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/da-esquina-ao-livro-nasce-a-crioula-mbs-749282</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;CAPA---Palavras-de-um-tempo-que-passa1_.png&quot; height=&quot;621&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B3f18256c/22832330_56Dm7.png&quot; style=&quot;width: 450px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;450&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;pre style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;strong&gt;CRIoula MBS Editora&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Da palavra ao livro&lt;/em&gt;&lt;/pre&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Da crónica ao livro, da palavra ao gesto: nasce a &lt;em&gt;CRIoula MBS Editora&lt;/em&gt;, uma pequena editora com alma atlântica, criada para dar casa às palavras e prolongar a travessia iniciada na &lt;em&gt;Esquina do Tempo&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;Depois de muitos anos de escrita e partilha, chegou o momento de dar forma e morada ao que foi sendo construído – um espaço onde a palavra encontre permanência e a experiência se transforme em legado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;A palavra ganha casa&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim nasceu a &lt;em&gt;CRIoula MBS Editora&lt;/em&gt;: uma editora pequena, independente e atenta, movida pelo desejo de transformar a palavra em permanência e a experiência em memória. O nome vem da crioulidade como modo de ver o mundo, de cruzar influências e de construir pontes entre o que somos e o que partilhamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A grafia &lt;em&gt;CRIoula&lt;/em&gt;, com as três letras iniciais em maiúsculas, é intencional e simbólica. Une o prefixo CRI – de &lt;em&gt;criação&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;crítica&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;crioulidade&lt;/em&gt; – à raiz &lt;em&gt;oula&lt;/em&gt;, evocando a alma mestiça e cultural de Cabo Verde. Derivada de “criar”, a palavra “crioulo” uniu, desde a origem, o acto de formar ao resultado dessa formação: o ser nascido de encontros. Nesta grafia, “CRI” representa o impulso criador e “oula” o fruto dessa criação – a identidade mestiça e atlântica que Cabo Verde simboliza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais do que designar uma editora, &lt;em&gt;CRIoula MBS Editora&lt;/em&gt; é um conceito: significa &lt;em&gt;criar com consciência crioula&lt;/em&gt;, transformar a palavra em gesto de cuidado, reflexão e pertença.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O uso das maiúsculas sublinha o carácter activo da crioulidade – não como herança estática, mas como movimento de criação e de diálogo atlântico. As iniciais &lt;em&gt;MBS&lt;/em&gt; identificam o autor como responsável e guardião desse projecto, que se afirma pequeno no tamanho, mas amplo no horizonte: &lt;em&gt;uma casa onde a palavra é ofício, memória e promessa.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;em&gt;CRIoula MBS Editora&lt;/em&gt; nasce para acolher os meus livros e projectos, mas também para abrir espaço a outros autores que partilhem a mesma linha editorial – obras ligadas à cultura, à memória e à reflexão, feitas com simplicidade, rigor e atenção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É uma casa de palavra e de permanência – modesta na dimensão, mas com horizonte atlântico – onde o livro prolonga o gesto da crónica: pensar o país e cuidar da sua memória.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Da esquina à travessia&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;em&gt;Esquina do Tempo&lt;/em&gt; foi, desde 2010, o lugar da observação e da partilha. Aqui nasceram ideias, encontros, afectos e reflexões que procuraram olhar Cabo Verde a partir das suas travessias – entre o ontem e o amanhã, o local e o universal, a saudade e a esperança. Cada texto publicado foi uma tentativa de transformar o quotidiano em consciência e a memória em gesto de cidadania.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;em&gt;CRIoula MBS Editora&lt;/em&gt; é o prolongamento natural dessa caminhada. Representa o momento em que o texto, amadurecido pelo tempo, ganha corpo e se transforma em livro. O blogue é o instante e o diálogo; a editora é o silêncio e a duração. O primeiro acende a conversa; o segundo guarda o sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Da esquina ao livro, é o mesmo caminho – apenas uma nova travessia. A &lt;em&gt;CRIoula MBS Editora&lt;/em&gt; não nasce para competir, mas para acrescentar: dar tempo à palavra e sentido ao que o tempo constrói. Cada publicação será um gesto de continuidade, cada livro uma forma de gratidão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Uma casa com horizonte atlântico&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;em&gt;CRIoula MBS Editora&lt;/em&gt; é, antes de mais, uma editora de autor, mas aberta a outras vozes que partilhem a mesma ética e o mesmo olhar. Pretende acolher projectos que dialoguem com a cultura cabo-verdiana, com o Atlântico e com o mundo lusófono, sem perder a simplicidade que define a edição artesanal e cuidada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cada título será pensado como um objecto de afecto – texto, forma e gesto em harmonia. Haverá espaço para o ensaio, a crónica, a memória e também para a escrita poética e reflexiva que ajude a compreender quem somos e o que desejamos continuar a ser.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O plano editorial prevê duas a três edições por ano, alternando entre obras próprias e de autores externos, sempre em pequenas tiragens, realizadas com sobriedade e tempo. São livros destinados a leitores atentos, que vejam na leitura um gesto de identificação e reencontro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 2026 começa esta nova etapa, ensaiada em Dezembro de 2025 com o primeiro título – &lt;em&gt;Palavras de um tempo que passa&lt;/em&gt; – oferecido aos amigos como prenda de Natal, pensado como testemunho de amizade, gratidão e desejo de paz e luz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma casa pequena, feita de tempo e de cuidado, onde cada palavra encontra o seu lugar e cada livro o seu sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; – &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 06 Dec 2025 18:41:00 GMT</pubDate>
  <title>1Son+Son: Música que Inspira a Esquina</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/1sonson-musica-que-inspira-a-esquina-748694</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Djinho.jpg&quot; height=&quot;340&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B9d186525/22828204_IZOzN.jpeg&quot; style=&quot;width: 600px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há gestos que se transformam em música – e há músicas que soam como gestos. Assim chegou até mim a oferta do músico Djinho Barbosa, criador de talento e sensibilidade, que me enviou o seu novo trabalho discográfico, &lt;em&gt;1Son+Son&lt;/em&gt;, composto por catorze faixas inspiradas na alma crioula e nas sonoridades atlânticas de Cabo Verde.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Deixo uma oferta musical extensa para o amigo Manuel Brito-Semedo, editor e autor de &lt;em&gt;Esquina do Tempo&lt;/em&gt;, conteúdo incontornável neste nosso meio Kriolu da criação e da expressão literária.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Espero que as 14 músicas de &lt;em&gt;1Son+Son&lt;/em&gt; possam servir como fundo de fundo e de inspiraSon para continuar a animar a Esquina.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;– &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Djinho Barbosa&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia videos&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/2NUpfNlOejk?si=yhi15pxe8MAEvnLT&quot; width=&quot;560&quot; height=&quot;315&quot; frameborder=&quot;0&quot; style=&quot;width: 640px; padding: 10px 10px;&quot; loading=&quot;lazy&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;A generosidade das palavras e da música do Djinho toca-me profundamente. Não apenas pelo gesto, mas pelo que ele representa: a partilha entre criadores, a convergência entre música e palavra, e a celebração de uma identidade comum – a crioulidade – que nos une através das artes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Djinho Barbosa: o som de um Kriolu contemporâneo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para quem ainda não o conhece, Djinho Barbosa é músico, compositor e produtor, parte de uma nova geração de artistas cabo-verdianos que fundem tradição e modernidade. As suas criações viajam entre o batuque e a morna, entre a percussão ancestral e a experimentação digital, compondo uma paisagem sonora que é, ao mesmo tempo, raiz e reinvenção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em &lt;em&gt;1Son+Son&lt;/em&gt;, Djinho propõe uma viagem pela pluralidade das ilhas: há o ritmo do interior e o sopro do mar, a palavra em crioulo e o silêncio que a acompanha. Cada faixa é um pedaço de memória reinventada – um diálogo entre passado e futuro, corpo e espírito, som e silêncio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Música e escrita: a mesma travessia&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na &lt;em&gt;Esquina do Tempo&lt;/em&gt;, sempre vi a escrita como uma forma de escuta. As crónicas, as memórias e as reflexões que aqui se reúnem são também feitas de ritmo, de respiração, de pausas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por isso, o gesto do Djinho ganha um significado especial: ele oferece um “fundo de fundo e de inspiraSon”, uma paisagem sonora onde as palavras poderão continuar a nascer e a respirar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A música de &lt;em&gt;1Son+Son&lt;/em&gt; é agora parte desta &lt;em&gt;Esquina – &lt;/em&gt;não como simples banda sonora, mas como companheira de viagem. Uma presença discreta que lembra que toda a criação é diálogo: entre vozes, tempos e formas de sentir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Morabeza em som e palavra&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que esta oferta musical sirva de inspiração a quem lê, escreve ou simplesmente escuta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que as notas do Djinho continuem a cruzar caminhos com as palavras da &lt;em&gt;Esquina&lt;/em&gt;, e que ambos – som e palavra – continuem a dar corpo à morabeza que nos define.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Obrigado, Djinho, pelo gesto, pela amizade e pela música.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;– &lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <category>crioulidade</category>
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  <category>cabo verde</category>
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  <guid isPermaLink='true'>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/a-inveja-do-criol-731163</guid>
  <pubDate>Fri, 05 Sep 2025 23:24:00 GMT</pubDate>
  <title>A Inveja do Criôl</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
  <link>https://brito-semedo.blogs.sapo.pt/a-inveja-do-criol-731163</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Búzio.jpg&quot; class=&quot;&quot; height=&quot;544&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B12186375/22794741_hEgSd.jpeg&quot; style=&quot;width: 425px;padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;425&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;pre style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&quot;Nha Búzio&quot;, Tutu Sousa, Acrílico sobre tela, 2025&lt;/pre&gt;
&lt;pre style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/pre&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Está escrito: &lt;em&gt;ninguém é profeta na sua terra&lt;/em&gt;. E na terra criôl, a máxima tem tradução simples: criôl gosta de puxar o seu irmão para baixo. O estrangeiro chega, abre a boca, e logo é génio. O vizinho fala, e é apenas “basofaria de criôl”. O defeito não está no talento, está na proximidade: quanto mais perto, mais incomoda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;A inveja é cega, mas tem ouvidos finos: ouve logo o sucesso alheio e interpreta como insulto pessoal. O que poderia ser orgulho vira azia, sempre com a mesma pergunta não dita: “porque ele e não eu?”. E se ele se sobressai, em vez de ser celebrado, passa-se-lhe a rasteira, corta-se-lhe as asas ou ata-se-lhe pedra ao pé.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Daí o drama da terra pequena: onde todos se conhecem, poucos suportam ver o outro crescer. O sucesso do vizinho não é vitória partilhada, é ameaça. Se um criôl escreve um livro, logo se diz que foi cópia da internet; se grava um disco, há-de ser para “encher chouriços”; se abre um negócio, foi porque teve cunha de alguém&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt; Depois admira-se que o melhor da casa tenha de emigrar para ser reconhecido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O resultado? Um país que desperdiça talentos e se alimenta de bajulações. Um povo orgulhoso da diáspora, mas cego para os que ficaram. Uma terra onde a inveja se disfarça de crítica séria, mas não passa de mesquinhez.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porque, em terra criôl, não se coroa o profeta – corta-se-lhe a cabeça.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;N.A.&lt;/strong&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;– Esta crónica faz parte da série&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Alfinetadas&lt;/em&gt;, onde se afinam ideias, se questionam anúncios e se convoca o bom senso, mesmo quando há confettis no ar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;–&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Manuel Brito-Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
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  <pubDate>Sun, 31 Aug 2025 01:28:00 GMT</pubDate>
  <title>Brito-Semedo no &apos;Público&apos; este domingo</title>
  <author>Brito-Semedo</author>
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&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;P2-20250831-imagens-16.jpg&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B07180da1/22792331_zO9Hm.jpeg&quot; style=&quot;width: 578px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;578&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;a name=&quot;cutid1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;ljcut&quot; text=&quot;Ver mais...&quot;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;Neste ensaio procuro reler a trajectória histórica do arquipélago: de como se forjou uma nação a partir da mestiçagem e da ausência de raízes autóctones, até aos dilemas actuais do modelo de Estado, das fragilidades da democracia e do papel ainda pouco reconhecido da diáspora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;É um convite à reflexão sobre o país que fomos capazes de inventar e aquele que ainda temos de reinventar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Ler o texto no link [&lt;a href=&quot;https://www.publico.pt/2025/08/31/mundo/ensaio/cabo-verde-pais-inventado-2144733&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;]&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
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