Recomendações de consulta
Assuntos culturais
Bibliotecas Virtuais
Blogues Parceiros
Documentários
Instituições Ensino Superior
Para mais consulta
Esquina do tempo por Brito-Semedo © 2010 - 2015 ♦ Design de Teresa Alves
Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Brito-Semedo, 20 Dez 25

Antes da festa, o silêncio. Depois, o esquecimento
O presidente da Câmara Municipal de São Vicente anunciou, entre brindes e aplausos de um jantar partidário, que a Rua de Lisboa “vai bombar” durante cinco dias. De 27 a 31 de Dezembro, palco armado, luzes acesas, som no máximo e promessa de uma festa “estrondosa” – para mostrar, diz ele, que São Vicente é “festa e cultura”.
Mas o povo já não se deixa embalar pelo eco das colunas. Um mindelense escreveu nas redes: “São Vicente não precisa de cinco dias de palco armado, rua de Lisboa fechada, polícia e bombeiros em sobreaviso permanente e a cidade inteira a viver em função do barulho. Isso não é visão. É a solução mais fácil: montar um palco, repetir a fórmula, gastar dinheiro e chamar a isso de cultura. Pasme-se!”
Outra mindelense foi mais directa: “Peço desculpas à população cabo-verdiana, à nossa diáspora, às instituições e a todos os que ajudaram São Vicente na tempestade Erin. Pela primeira vez tenho vergonha de dizer que sou de São Vicente. É vergonhoso o que um louco do poder local decide e o poder central não trava. É gozar com o próprio povo!”
E, como se o espírito natalício também tivesse opinião, alguém escreveu ao Pai Natal:
“Querido Pai Natal,
Este ano não lhe pedimos guitarras nem tambores. Pedimos esgotos decentes, estradas sem buracos e escolas reparadas. Pedimos dignidade, não decibéis.
Em vez de cinco dias de barulho, traga luzes de consciência e programas para a juventude. Em vez de fogos de artifício, devolva esperança.
E, se couber no saco, leve consigo o náufrago da Câmara Municipal – mas bem longe de São Vicente.
Com respeito e espírito natalício,
O povo sofrido mas consciente de São Vicente.
Três vozes, três registos, uma mesma verdade: a paciência dos mindelenses tem limites – e está quase a rebentar. Enquanto se arma o palco, a cidade continua a esburacar-se, a juventude sem horizonte, a cultura sem rumo.
Há quem confunda alegria com governação, e decibéis com visão. Mas a verdadeira festa será o dia em que São Vicente deixar de ser gerida ao som do microfone e ao ritmo do copo.
N.A. – Esta crónica faz parte da série Alfinetadas, onde se afinam ideias, se questionam anúncios e se convoca o bom senso, mesmo quando há confettis no ar.
– Manuel Brito-Semedo
Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...
Viva Susana, não não é este Valdemar Pereira, eu f...
Corrigido no texto. Grato pela correção. Abraço.
Ele nasceu em 1824.
Grato pela partilha destas informações que enrique...
Devido à oportunidade de realizar pesquisas sobre ...