Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

 

ChatGPT Image 15_12_2025, 23_39_09.png

Antes da festa, o silêncio. Depois, o esquecimento

 

 

O presidente da Câmara Municipal de São Vicente anunciou, entre brindes e aplausos de um jantar partidário, que a Rua de Lisboa “vai bombar” durante cinco dias. De 27 a 31 de Dezembro, palco armado, luzes acesas, som no máximo e promessa de uma festa “estrondosa” – para mostrar, diz ele, que São Vicente é “festa e cultura”.

 

Mas o povo já não se deixa embalar pelo eco das colunas. Um mindelense escreveu nas redes: “São Vicente não precisa de cinco dias de palco armado, rua de Lisboa fechada, polícia e bombeiros em sobreaviso permanente e a cidade inteira a viver em função do barulho. Isso não é visão. É a solução mais fácil: montar um palco, repetir a fórmula, gastar dinheiro e chamar a isso de cultura. Pasme-se!”

 

Outra mindelense foi mais directa: “Peço desculpas à população cabo-verdiana, à nossa diáspora, às instituições e a todos os que ajudaram São Vicente na tempestade Erin. Pela primeira vez tenho vergonha de dizer que sou de São Vicente. É vergonhoso o que um louco do poder local decide e o poder central não trava. É gozar com o próprio povo!”

 

E, como se o espírito natalício também tivesse opinião, alguém escreveu ao Pai Natal:

 

“Querido Pai Natal,

 

Este ano não lhe pedimos guitarras nem tambores. Pedimos esgotos decentes, estradas sem buracos e escolas reparadas. Pedimos dignidade, não decibéis.

 

Em vez de cinco dias de barulho, traga luzes de consciência e programas para a juventude. Em vez de fogos de artifício, devolva esperança.

 

E, se couber no saco, leve consigo o náufrago da Câmara Municipal – mas bem longe de São Vicente.

 

Com respeito e espírito natalício,

 

O povo sofrido mas consciente de São Vicente.

 

Três vozes, três registos, uma mesma verdade: a paciência dos mindelenses tem limites – e está quase a rebentar. Enquanto se arma o palco, a cidade continua a esburacar-se, a juventude sem horizonte, a cultura sem rumo.

 

Há quem confunda alegria com governação, e decibéis com visão. Mas a verdadeira festa será o dia em que São Vicente deixar de ser gerida ao som do microfone e ao ritmo do copo.

 

 

N.A. – Esta crónica faz parte da série Alfinetadas, onde se afinam ideias, se questionam anúncios e se convoca o bom senso, mesmo quando há confettis no ar.

 

 

Manuel Brito-Semedo

  

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

Comunidade

  • Afonso

    Viva Susana, não não é este Valdemar Pereira, eu f...

  • Brito-Semedo

    Corrigido no texto. Grato pela correção. Abraço.

  • Anónimo

    Ele nasceu em 1824.

  • Brito-Semedo

    Grato pela partilha destas informações que enrique...

  • Loandro Lima

    Devido à oportunidade de realizar pesquisas sobre ...

Powered by