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A Câmara Municipal de São Vicente explica que os cinco dias de festa na Rua de Lisboa fazem parte da “recuperação social e emocional da ilha”. A cultura leva alegria, esperança e conforto. E São Vicente, diz-se, não pode parar. Fica registado, como ficam registadas quase todas as frases felizes.

 

Ninguém discute a cultura nesta ilha. Seria negar o Mindelo enquanto lugar vivido. A música, a rua, o encontro fazem parte da nossa respiração colectiva. Também é verdade que artistas e técnicos precisam de trabalho, palco e público para continuar.

 

O problema não está aí.

 

Cinco dias de palco armado, rua central fechada e som no máximo não são uma política cultural. São um momento. Vistoso, ruidoso, passageiro. Como quase todos os momentos, passa. A cidade, essa, fica.

 

E fica com bairros frágeis, esgotos a céu aberto, ruas gastas e famílias ainda a recompor-se do susto da tempestade. É nesse contraste que a festa perde explicação e ganha ironia.

 

Não se trata de ser contra a festa. São Vicente nunca foi terra de silêncio. Trata-se apenas de perguntar se cinco dias de barulho substituem escolhas difíceis. E se a cultura, chamada à pressa, não acaba reduzida a álibi.

 

A cultura cura, sim. Mas não tapa buracos nem substitui planeamento.

 

Mindelo não precisa de provar que sabe fazer festa. Precisa de mostrar que sabe pensar a cidade para além do calendário.

 

São Vicente não pode parar – mas também não avança ao som do mesmo disco riscado.

 

N.A. – Esta crónica faz parte da série Alfinetadas, onde se afinam ideias, se questionam anúncios e se convoca o bom senso, mesmo quando há confettis no ar.

 

 

Manuel Brito-Semedo

 

 

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