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Esquina do tempo por Brito-Semedo © 2010 - 2015 ♦ Design de Teresa Alves
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Brito-Semedo, 4 Jun 16
“Nhâs Padás” [Meus Pedaços], título na variedade de Santiago, é um trabalho musical de Sónia Lopes apresentado hoje na Praia onde ela procura justapor ou juntar os pedaços da sua identidade compósita e fragmentária de artista crioula.
Ao entrar no espaço sagrado da Música descalço humildemente as minhas sandálias.
Antes de prosseguir, sinto-me na obrigação de vos fazer uma revelação para não se sentirem defraudados: não tenho qualquer dote musical, não toco nenhum instrumento, nem mesmo “racordai”, também não canto, a não ser no duche, e a dançar, sou um pé-de-chumbo, o que faz de mim um cabo-verdiano atípico.
Não tenho a pretensão, portanto, de vir cá explicar algo que apenas sei sentir e fruir para o meu deleite e satisfação pessoal. Mas também não fui chamado para fazer nada disso, felizmente. O meu “metier” é outro e falar sobre a identidade crioula é algo que me fascina e me encanta, de que a música é apenas um desses aspectos.
Posto isso, não sei se me retiro ou se leio as notas de apresentação do CD “Nhâs Padás”, que preparei para esta ocasião. Decidam, se faz favor. Muito obrigado!
Filha de pai bissau-guineense, diplomata e músico, e de mãe de família tradicional da cidade da Praia, nascida na cosmopolita cidade do Mindelo e fazendo parte da geração da pós-independência, Sónia Lopes é uma mulher e artista de muitas vivências e aberta ao mundo.
Neste álbum a artista assume na plenitude a sua cultura e identidade crioula como resultado das suas vivências de infância nesses dois espaços e da exposição a que foi sujeita ao longo da sua adolescência e juventude morando e estudando no estrangeiro.
Esse “Nhâs Padás” é o resultado das experiências culturais e musicais que Sónia Lopes foi assimilando nessas suas andanças “ta rolá na mapa”, da América – Estados Unidos, México e Brasil – da Europa, principalmente Portugal, e, claro, da África, fixando-se no chão destas ilhas atlânticas e na sua cultura originária. E o resultado dessa vivência e de mistura de ritmos é ao mesmo tempo profundo e inovador, porque de mistura do jazz afro-latino com o batuco e o colá, num convívio enriquecedor e harmonioso do tradicional com o moderno.
Neste trabalho tudo é pensado no mais ínfimo pormenor e nada é deixado ao acaso, provavelmente nem o facto de ter sido eu o escolhido para ser o seu apresentador.
Os compositores, Djoy Amado, Maruca Tavares, Remna Schwarz e Henrique Rodrigues; os temas selecionados, ‘Azul’, ‘Kauberdi’, ‘Tchur di Ngido’, ‘Kabesa na Badju’, ‘Chinoi’ e ‘Parcer’; os músicos de diversas proveniências, Galiano Neto e Chalo Correia, de Angola, Braima Galissá, da Guiné-Bissau, Francesco Valente, da Itália, João Firmino, João Mouro e Ricardo Gouveia, de Portugal, Felipe Santo, de São Tomé e Príncipe; os instrumentos escolhidos, o clássico, o tradicional e o moderno, revelam diversidade e harmonia e transmitem autenticidade de quem sabe o que quer transmitir e imprimir a sua marca.
Neste trabalho chamou-me atenção as letras das canções, porque actuais, de caracterização social, com imagens fortes e ousadas e politicamente incorrectas. Dou como exemplo “Cabeça na Badju”, de Maruca Tavares, escrita em 2015, que poderia ser música e hino de campanha:
Prato cudjer sissi, panela
sem lumi na cassa
família
bariga basiu
Fraku sem trabadju
cabeça na badju
dia i noti, tamanhu
sem soluçon.
Ka nhos txoma m pa ba bebi
Pa m pode skeci
ka nhos labanta m spritu
si nem bafa ka tem
N ka ta djuga ku pedra
pa mo me garrafa
ma, me é chefi família
N ka kre iluson
Ami n kre trabadju
Pan bebi nha suor
pan toma banhu, pan kume
pa txapa nha kaiça (pan raboka nha cassa)
N ka kre saku simenti
Nem dos konto e kinhentu
N kre kalu na mo
Pan ganha nha dia
Pan kume, pan bebe, pan bisti, pan passia, mo na bolsu pan sibia
pa ka txoman djosé
pamo me alguém
Pa nha fidju ba scola, pa kria nha bitxus,
pan símia nha lugal
pan reforça nha garnel, pa nha mudjel
Atrevo-me a dizer que “Nhâs Padás” é a captação fragmentada da alma genuína da artista Sónia Lopes, que se apresenta inteira, dando voz e participando na direcção artística e musical e também nos arranjos.
Música, Maestro!
“Cabeça na Badju”, composição de Maruca Tavares
– Manuel Brito-Semedo
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