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Há cem anos, na Praia, nasceu Arnaldo França, homem de saber sereno e palavra limpa. Poeta, ensaísta, professor e servidor público, fez da cultura um exercício de rigor e de entrega. Viveu entre a discrição e a lucidez, sem nunca buscar protagonismo. Preferiu o trabalho paciente, a construção sólida, a lealdade às ideias e às pessoas.

 

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Prémio Literário Arnaldo França

Brito-Semedo, 25 Ago 21

 

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Palavras proferidas na qualidade de presidente do júri da 4.ª edição do “Prémio Literário Arnaldo França”.

 

 

“O livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós”.

 

– Franz Kafka

 

 

Começo por saudar o Dia Nacional da Imprensa Escrita quando se assinala os 179 anos da sua instalação em Cabo Verde. E a forma encontrada para celebrar a data não poderia ter sido mais simbólica que com o lançamento dos livros das duas últimas edições de um Prémio Literário promovido em parceria pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda de Portugal e Imprensa Nacional de Cabo Verde e anunciar a abertura de uma sua quarta edição.

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 Professor Alberto Carvalho, Arnado França e Fátima Bettencourt, 2011

 

 

Duas iniciativas no âmbito do Dia Nacional da Cultura homenageiam o poeta, escritor e ensaísta Arnaldo França (Praia, 1925 – 2015): a inauguração da “Arnaldo França Livraria”, na Praia, no dia 16, e a entrega do Prémio Literário Arnaldo França, enquadrada no Morabeza – Festa do Livro, a ser aberto em Mindelo, no dia 19.

 

Na Praia, a homenagem consistiu na edição fac-similada da brochura Notas sobre poesia e ficção cabo-verdianas, de autoria de Arnaldo França, um estudo inicialmente publicado em “Cabo Verde – Boletim Documental e de Cultura”, em 1962, e testemunhos de Ana Freire, uma ex-aluna de Arnaldo França no Instituto Superior de Educação, e Sara França Silva, neta do homenageado. Coube-me a mim fazer o tributo literário a Arnaldo França.

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Dr. Arnaldo França Faleceu Há 1 Ano

Brito-Semedo, 19 Ago 16

  

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Arnaldo Carlos Vasconcelos França

 

Praia, 15.Dezembro.1925 – 18.Agosto.2015

 

 

O Esquina do Tempo teve acesso às cópias dos textos disponibilidades pelo Dr. Arnaldo França à Doutora Amália Melo Lopes por ocasião da Semana da Língua Materna 2012  na Uni-CV (uma delas tem assinatura, tornando-se, por isso, uma preciosidade), que os digitalizou, sendo validados por ele. Alguns destes textos terão sido publicados no jornal A Semana.

 

Um bem-haja e um agradecimento especial à Professora Amália Melo Lopes pela cedência deste material.

 

 

ABANDONO OU FADO PENICHE

 

David Mourão-Ferreira

 

 

«Por teu livre pensamento

Foram-te longe encerrar.

Tão longe que o meu lamento

Não te consegue alcançar.

E apenas ouves o vento.

E apenas ouves o mar.

 

«Levaram-te, era já noite:

a treva tudo cobria.

Foi de noite, numa noite

de todas a mais sombria.

Foi de noite, foi de noite,

e nunca mais se fez dia.

 

«Ai dessa noite o veneno

Persiste em me envenenar.

Ouço apenas o silêncio

que ficou em teu lugar.

Ao menos ouves o vento!

Ao menos ouves o mar!»

MORNA TARRAFAL

 

Versão crioula de FADO PENICHE, de David Mourão-Ferreira

 

Mó bu cabeça ê sim dono

És fitchabo longi bu casa.

Nim nha tchóro, nim nha grito

Ca ta tchiga djunto bó.

É só mar qui bu ta ôbi.

Bu ca t´ôbi más qui bento.

 

És lebabo nôti fitchado,

Nôti sucuro di treba.

Era nôti cima agôro,

Nôti nim ano di fome.

Era nôti, era nôti,

Ti hoji inda ca manchê.

 

Veneno qu´ês da-m´quêl nôti

Ti góci ê´sta-m´ na sangui.

Na casa, na bu lugar

Só basio fica co mi.

Bó ao menos bu tem bento.

Bó ao menos bu tem mar.

  

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Neta e Avô França

 

 

Gostaria de começar por uma afirmação na qual acredito e que tenho ouvido, por entre várias palavras amigas de consolo, nos últimos dois meses.

 

O nascimento dos filhos é a única forma de driblar a morte. É através da família dos valores e do amor que se transmite de geração em geração, que permanecemos vivos no mundo, por muito tempo depois da nossa partida física.

 

Com esta afirmação, gostaria de vos contar uma história.

 

Em 1925, no dia 15 de Dezembro, nascia Arnaldo Carlos Vasconcelos França. O mais velho dos dois filhos do casal que viria a ser conhecido pela minha mãe e pela minha por Vovó Dulce e Vovô França.

 

Arnaldo começou por ser conhecido por Arnaldico. E porque não Arnaldinho? Porque já existia um…primo Arnaldo, também ele nascido em 1925! Perante este facto, a forma mais natural que se achou, foi chamar-lhe Arnaldico, para que de forma carinhosa, o amor começasse a ser dedicado àquele novo membro da família.

 

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 Sara França Silva, Direcção da Academia Cabo-verdiana de Letras. Foto Tó Gomes

 

A Academia Cabo-verdiana de Letras (ALC) realizou no passado dia 29 de Outubro uma Sessão de Homenagem ao Escritor Arnaldo França. De destacar, na ocasião, o tributo prestado pela Neta, Sara França Silva, em nome da Família, que será aqui editado como um próximo post.

 

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Até lá, a Esquina do Tempo partilha com os leitores a homenagem de Brito-Semedo.

 

 

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Arnaldo França, Uma Homenagem

Brito-Semedo, 21 Ago 15

 

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– António Ludgero Correia Sénior, Aduaneiro

 

Aduaneiro, poeta, ensaísta, professor e Administrador (vejo-o, enquanto Secretário de Estado das Finanças e Ministro das Finanças, mais como administrador do que verdadeiramente político) ARNALDO CARLOS DE VASCONCELOS FRANÇA é uma das figuras mais respeitadas de Cabo Verde. E não só. Por isso, não espanta a casa cheia, ontem, na Biblioteca Nacional.

 

Apesar de o horário coincidir com o da primeira-mão de uma das duas meias-finais da Liga dos Campeões – neste país que se verga diante do Desporto-Rei – o Salão da Biblioteca Nacional foi pequena para albergar quantos queriam prestar homenagem ao Dr. Arnaldo França.

 

Emoção às catadupas. Ninguém conseguiria ficar indiferente às palavras do Professor Doutor José Alberto Carvalho, do Poeta-Maior Corsino Fortes ou do Ministro (ainda consciente da transitoriedade dos cargos) Mário Lúcio. E as declamações de Fátima Bettencourt?! Meu Deus…

 

Homenagem para ninguém botar defeito: prestada EM VIDA (que é quando as homenagens são realmente válidas); genuína e sentida; e bem representativa.

 

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Legenda (Da esquerda para a direita): Prof. Doutor Alberto de Carvalho, Dr. Arnaldo França (Homenageado), Dr. Mário Lúcio Sousa (Ministro da Cultura), Dr. Corsino Fortes (Presidente da Associação de Escritores Caboverdianos), Dr. Joaquim Morais (Presidente do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro)

 

O toque mágico aconteceu praticamente no fim da sessão: o Dr. Arnaldo França «se confessou» ADUANEIRO. Aclamei, de pé. As Alfândegas atravessam, hoje em dia, a rua da amargura, mas é, de todo em todo, injusto, não sublinhar as figuras ilustres que elas têm dado a Cabo Verde.

 

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Foto Daniel Monteiro Júnior

 

 

Quando do fundo da noite vier o eco da última palavra submissa

E a patina do tempo cobrir a moldura do herói derradeiro,

 

Quando o fumo do último ovo de cianeto
Se dissipar na atmosfera de gases rarefeitos
E a chama da vela da esperança
Se acender em sol na madrugada do novo dia

 

Quando só restar na franja da memória
Lapidada pelo buril dos tempos ácidos
A estria da amargura inconsequente
E a palavra da boca dos profetas
Não ricochetear no muro do concreto
Da negrura sem fundo de um poço submerso

 

Sejais vós ao menos infância renovada da minha vida
A colher uma a uma as pétalas dispersas
Da grinalda dos sonhos interditos.

 

Arnaldo França, in Claridade, n.º 9,  Dezembro de 1960

 

 

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 Foto Maria Catela, Praia, Julho.2010

 

 

Amiga Fátima Bettencourt, cheguei agorinhassim do Cemitério da Várzea aonde me fui despedir do nosso Dr. Arnaldo França.

 

Triste e vazio, ocorre-me o poema "José", do brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Então, e agora? O último (?) baluarte da nossa cultura partiu, a mediocridade nos sorri faceira ... E agora?

 

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Foto Quim Macedo, Praia, Julho.2010

 

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... Vai até FRANÇA!

Brito-Semedo, 19 Ago 15

 

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"Arnaldo França, o primeiro nome em que se pensa quando se quer garantias de conhecimento, de cientificidade e de seriedade”

 

– Corsino Fortes, 2005

 

 

O Dr. Arnaldo Carlos Vasconcelos FRANÇA, o decano das letras e dos intelectuais cabo-verdianos, caminha para os 85 anos (n. Praia, 15.Dez.1925), rijo, lúcido e activo, é um invejável depositário de conhecimentos (aqui, bato na madeira para exorcizar qualquer tipo de azar!).

 

Falei há instantes com o Dr. França e impressionou-me o seu sentido prático de encarar a vida e o apreço com que sempre me distinguiu, acabado de reconfirmar de uma forma particular, que me sensibilizou e me encheu de orgulho.

 

Desligado o telefone, passei a fazer o exercício de recordar os momentos e os passos marcantes da minha relação com o Dr. França, na minha caminhada de aprendiz de escritor a académico.

 

Como na lenga-lenga e brincadeiras de infância, A galinha é branca, / vai até à casa do vizinho, / embarca num navio, / Vai até França!

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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