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Em 2026, Cabo Verde assinalará 35 anos de Liberdade e Democracia, marco decisivo da consolidação do Estado de Direito democrático, e 90 anos da Revista Claridade, acto fundador da modernidade literária cabo-verdiana. Em 2027, evocaremos duas datas centrais do nosso património cultural e intelectual: os 120 anos do nascimento de Baltasar Lopes da Silva e os 80 anos da publicação do romance Chiquinho, obra maior da literatura cabo-verdiana.

 

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30 anos de escrita

Brito-Semedo, 30 Dez 25

 

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Mindelo. Porto e cidade, no tempo que passa

 

 

No fim de 2025, este texto é um pequeno balanço, feito sem solenidade. Não para fechar um ciclo, mas para reconhecer um caminho percorrido, com continuidades e hesitações. A escrita segue, enquanto fizer sentido – acompanhando, como sempre, o país no tempo que passa.

 

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Um aceno ao ano que passa

 

 

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Há cem anos, na Praia, nasceu Arnaldo França, homem de saber sereno e palavra limpa. Poeta, ensaísta, professor e servidor público, fez da cultura um exercício de rigor e de entrega. Viveu entre a discrição e a lucidez, sem nunca buscar protagonismo. Preferiu o trabalho paciente, a construção sólida, a lealdade às ideias e às pessoas.

 

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As Ilhas que Cantam no Mundo

Brito-Semedo, 3 Nov 25

 

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Pintura de Jackie Lopes Da Luz, 2025



Um prendinha para o Ely, lá na terra-longe.

 

 

Integrada no ciclo comemorativo dos 50 anos da Independência de Cabo Verde, esta Exalta reafirma a vitalidade de uma nação cultural que se expande pelo mundo sem perder o seu centro. É um canto de pertença e de travessia, celebrando o país que continua a escrever-se e a cantar-se, dentro e fora das ilhas, no compasso das suas diásporas.

 

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Tubarões de Alma Grande

Brito-Semedo, 14 Out 25

 

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Há dias que ficam na história de um povo. Hoje, 13 de Outubro de 2025, Cabo Verde viveu um desses momentos: os Tubarões Azuis qualificaram-se, pela primeira vez, para o Campeonato do Mundo de Futebol. Mais do que uma vitória, foi um gesto de afirmação e de confiança nacional.

 

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Nôs ê Criôl

Brito-Semedo, 4 Set 25

 

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Imagem gerada pela IA

 

 

Somos o resultado de encontros e desencontros, de mares que nos trouxeram sangue e memória, dor e criação. Nós, cabo-verdianos, somos crioulos: herdeiros de múltiplas raízes, mas portadores de uma identidade própria, viva e plural, que só se cumpre no diálogo com o outro.

 

A provocação da crioulidade

 

Em Cabo Verde, a identidade é tema de debate desde os dias da independência. No fervor de 1975, a prioridade era romper com a herança colonial e afirmar o país como parte do continente africano. Foi nesse contexto que se cunhou a ideia de uma “reafricanização dos espíritos”, expressão que marcou o discurso político e cultural das décadas seguintes. A intenção era legítima: devolver às ilhas a ligação à África continental, tantas vezes silenciada pela administração colonial.

 

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A 5 de Julho de 1975, Cabo Verde tornou-se independente. A bandeira foi hasteada, o hino entoado, e nasceu um sonho colectivo de dignidade e soberania. Mas, com a liberdade, chegou também o silêncio. A mesma data que simbolizou a emancipação marcou o início de uma nova forma de dominação – interna, ideológica e centralizadora.

 

Instalou-se um regime de partido único que reprimiu o pluralismo, silenciou o debate e reduziu a cidadania à obediência. A esperança transformou-se em vigilância, e o Estado confundiu-se com o partido. A independência celebrou a soberania, mas condicionou a liberdade. Reconhecer essa ambivalência é essencial para compreender plenamente a história de Cabo Verde.

 

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A conferência Antes da Bandeira – A Literatura Cabo-Verdiana às Portas da Independência propõe uma reflexão sobre o papel estruturante da literatura na formação da identidade nacional cabo-verdiana antes da independência de 1975. Sustenta-se que, muito antes da existência formal de símbolos como a bandeira, o hino ou o governo, Cabo Verde já se afirmava na palavra escrita. Através de autores como Jaime de Figueiredo, Baltasar Lopes, Jorge Barbosa, Orlanda Amarílis, entre outros, e publicações fundamentais como Claridade, Certeza e Seló, foi-se desenhando uma consciência de país enraizada na experiência insular e na resistência simbólica.

 

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50 anos, 50 vozes – Rádio Morabeza

Brito-Semedo, 23 Jun 25

 

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O professor universitário Manuel Brito-Semedo considera que, ao longo dos 50 anos de independência, Cabo Verde conseguiu democratizar o acesso à educação, mas sublinha que é necessário melhorar a qualidade do ensino. O convidado de hoje do programa 50 anos, 50 vozes, da Rádio Morabeza defende que, quando o tema é educação, todos devem ser chamados a participar -  RM. Link

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
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