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O Arco da Infância

Brito-Semedo, 29 Ago 25

 

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Imagem gerada pela IA

 

 

O poeta português Manuel Alegre escreveu em Alma (1995): “Toda a vida: não há flecha que não tenha o arco da infância.” A imagem é certeira. Aos setenta anos, percebe-se melhor essa verdade: quanto mais longe vai a flecha, mais claro se torna o arco que a lançou. A infância não é apenas memória; é estrutura de carácter e de valores.

 

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Da “esquina” física de Mindelo ao espaço digital, das páginas de um ensaio à crónica no jornal, Esquina do Tempo tornou-se muito mais do que um título: é um lugar de observação, memória e diálogo. Quinze anos depois da sua primeira edição, este percurso mantém-se vivo, reinventando-se continuamente sem perder o seu sabor original.

 

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Para as Netas Liana, Alyiah e Nicole

 

 

Quando éramos pequenos, o mundo parecia caber inteiro nas nossas mãos. Não havia brinquedos de marca, nem comandos, nem écrans tácteis a ditar os gestos. O luxo era outro: o tempo livre, a rua por explorar, e uma imaginação sem fronteiras. Talvez por não termos muito, tínhamos tudo.

 

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Pê na Sapóte, Mon na Violão

Brito-Semedo, 18 Set 21

 

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Homenagem a Armando Pong Sapateiro

 

 

Já’j pintál

Ca é bô cor… perdê bo valor

Catem sentimente… dor subi… la na céu

 

Bô sonhe ta f’cá na tchon

Ta vivê costa pa munde

Ta vivê d’um sol quadrode

Já’j abri sê quintál d’cruz

 

Oh… Nossa Senhora da Luz

Bem dzême porquê já’j ôfrêcê

Criston já perdê sê surrise

Na dor, d’um vida cançode

 

Dormi na tchon, cubrid d’giada…

Corrêpa cais… ba shpiá vida…

Na shperança… na mar i tchuva

 

Já’j Pintál, Letra e Música Jorge Lima Gomes / Djin Djob,

in Single “Amor & Música”, 2021, de Djin Djob

 

 

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'Trofêgo' na Cidade-Porto

Brito-Semedo, 30 Mai 19

 

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Homenagem às gentes da Cidade-Porto do Mindelo

 

 

 

Bô papá ca foi foguêr

Nem tampoco rocegadôr

Nem marinhêr nem catraêr

Nem carpintêr nem pedrêr el foi

Nem padêr nem pescador

E nem tambêm catador

                                                                                              

– Manuel d’ Novas

 

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Homenagem ao Mestre Cunke

 

 

Nos anos de 1950/60, feito o exame do 2.º grau, era dzid-e-sabid que o caminho a ser seguido pelos fidjes-de-pobréza era aprender um ofício e preparar-se para uma profissão. Os filhos dos mais remediados iam para o Liceu Gil Eanes e alguns outros, de pais menos remediados, para a Escola Técnica, havendo, contudo, algumas excepções.

 

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90 anos do "Diário" de António Pedro

Brito-Semedo, 11 Abr 19

 

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Assinala-se este ano os 90 anos da publicação do Diário (Praia, Imprensa Nacional, 1929), livro de poesia de António Pedro [Costa] (Praia, 09.Dez.1909 – Moledo do Minho, 17.Agosto.1966), artista plástico surrealista, homem de teatro, escritor, poeta e jornalista.

 

Diário

 

O Diário, pelo modernismo e pela forma de abordagem dos temas não agradou a muita gente. “A tal ponto que [segundo Félix Monteiro] um exemplar do livrinho foi rasgado, simbolicamente em auto-de-fé, por um grupo […] do Liceu de São Vicente, o qual, para o cúmulo, deliberou levar mais longe o seu protesto, remetendo ao Autor, pelo correio, os despojos, da sua intolerância”.

 

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“Nha Claridade só gostava dos filhos-machos. Não queria saber das filhas-fêmeas” – Orlanda Amarílis

 

 

Orlanda Amarilis, única menina entre os rapazes da Academia Cultivar, iniciou a sua carreira literária começando por colaborar na Fôlha da Academia Certeza no seu primeiro número, saído em Março de 1944.

 

Orlanda Amarilis Lopes Rodrigues Fernandes Ferreira (Santa Catarina, 08.Outubro.1924 – Lisboa, 01.Fev.2014) pertence a uma família de grandes figuras literárias. Era filha de Alice Lopes [da Silva] Fernandes e de Armando Napoleão Fernandes, autor do primeiro dicionário de língua crioula-portuguesa, O Dialecto Crioulo – Léxico do Dialecto Crioulo do Arquipélago de Cabo Verde, e da Gramática do Crioulo de Cabo Verde (obra incompleta e ainda inédita). Amarilis era igualmente sobrinha de José Lopes da Silva e prima de António Aurélio Gonçalves e de Baltasar Lopes da Silva. Foi casada com o escritor Manuel Ferreira.

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Capa-livro.jpgDescantes da Minha Ribeira é oratória, cântico e vivenciamento.

 

São duas as artes que identificam Kaká Barboza – a música, de que é exímio compositor e instrumentista, e a escrita, enquanto poeta e contista, uma na mão direita, outra na mão esquerda – onde explora a sonoridade e as técnicas de compor e de contar. Neste caso, a arte é um cantar só.

 

Combino o verbo regular da primeira conjugação “descantar” de onde deriva o substantivo/nome do livro [e viva a gramática tradicional de José Maria Relvas e de Tomás de Barros por onde estudamos!]: Eu descanto, tu descantas, ele [Kaká Barboza] descanta…

 

Kaká Barboza é um “descantador”, uma pessoa que descanta, ou seja, alguém que canta ao som de instrumentos musicais – mas que também canta no silêncio da escrita – as estórias e os contos da sua vivência, as suas memórias, a sua ribeira. Daí essas estórias e contos, melhor dizendo, esses “contares”, serem celebrações alegres e festivas, muito embora em notas e tons de crítica.

 

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O Ensino Superior do Seminário-Liceu

Brito-Semedo, 7 Fev 19

 

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Homenagem a Dom José Luís Alves Feijó,

Bispo Fundador do Seminário-Liceu, 1866-1867,

e ao Cónego António Oliveira Bouças,

último Vice-Reitor, 1904-1917

 

 

O ensino superior em Cabo Verde tem a sua génese no Seminário Eclesiástico da Diocese de Cabo Verde, conhecido como Seminário-Liceu de São Nicolau (1866-1917).

 

 

Curso Superior de Estudos Eclesiásticos

 

Criado para o estado eclesiástico, foi ali formado e ordenado, entre 1866 e 1899, quarenta e nove presbíteros, sendo que 17 eram provenientes de Portugal Continental [1 era da ilha da Madeira], 1 de Bissau e os restantes 31 de Cabo Verde. Dentre estes figuram Nicolau Gomes Ferreira (Santiago, 1874), António Manuel da Costa Teixeira (Santo Antão, 1890), Porfírio Pereira Tavares (Santiago, 1895) e Francisco de Deus Duarte (São Vicente, 1901), para se referir apenas aos mais conhecidos.

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

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