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Cabo Verde no Atlântico

 

 

Pensar Cabo Verde não é escolher entre pertenças, mas compreender a trajectória histórica que as tornou inseparáveis.

 

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O sinal da ironia

Brito-Semedo, 6 Mar 26

 

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Há tempos, numa conversa com a editora de Germano Almeida, surgiu uma observação que me ficou na memória. Muitos alunos lêem os seus livros como se tudo fosse literal. Seguem a história, acompanham as personagens, mas deixam escapar aquilo que, na verdade, sustenta grande parte da arquitectura da escrita: a ironia.

 

A ironia não é mentira nem sarcasmo fácil. É, antes, uma forma refinada de inteligência literária. O autor afirma, mas desloca o sentido; elogia, mas deixa no ar uma interrogação; exagera apenas o suficiente para revelar a pequena comédia humana que se esconde nas situações mais banais do quotidiano.

 

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Em Março de 1936, quando surge Claridade em São Vicente, Cabo Verde existia como território administrado, mas ainda não se tinha assumido plenamente como sujeito de pensamento. Era descrito a partir de fora, enquadrado em categorias alheias, explicado por narrativas que raramente partiam da sua experiência concreta.

 

A revista não apresentou manifesto nem proclamou rupturas estridentes. Fez algo mais exigente: começou a olhar o país por dentro.

 

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Universalismo com sotaque

Brito-Semedo, 27 Fev 26

 

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Legenda: Entre a língua que se pensa e a língua que se escreve

 

 

Numa sala de aula qualquer do arquipélago, uma criança levanta o dedo, pensa em crioulo e responde em português. Nesse intervalo mínimo – quase invisível – cabe uma parte decisiva da história cultural de Cabo Verde. A UNESCO, em 1999, declara  que a educação deve começar na língua materna, princípio justo e humanamente irrefutável. Mas quando essa verdade, pensada à escala do mundo, chega às ilhas, encontra uma realidade mais densa do que supõe.

 

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Cabo Verde e a hora Crioula

Brito-Semedo, 26 Fev 26

 

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A realização, em finais de Maio, da primeira Cimeira das Nações Crioulas por iniciativa da Presidência da República sugere que Cabo Verde entra numa nova fase da sua reflexão sobre a crioulidade. Mais do que um encontro internacional, o momento convida a pensar se essa experiência histórica, durante muito tempo tratada sobretudo pela literatura e pelo ensaio, poderá tornar-se referência para a acção política e para a projecção atlântica do país.

 

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A primeira história geral do arquipélago disponível em língua inglesa, enquadrada numa tapeçaria regional, oceânica e global mais ampla.

 

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História, não troféu

Brito-Semedo, 17 Fev 26

 

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O debate em torno da expressão “nação crioula” tem mostrado, acima de tudo, a dificuldade em pensar Cabo Verde sem recorrer a fórmulas simples. Entre a vontade de ser o primeiro e o receio de ser apenas mais um, perde-se o essencial: compreender a história do país.

 

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Concepção Andreia Brandão

 

 

Nos textos anteriores, ficou delineado um percurso editorial construído sem pressa e sem ruído. Da escrita dispersa à edição em livro, a CRIoula MBS Editora pretende afirmar-se como um projecto organizado em ciclos, continuidades e escolhas conscientes. O Catálogo Editorial 2026 torna visível essa arquitectura; as Conversas no Poial vão levar ao encontro directo com leitores e criadores. Faltava ainda dar atenção a um elemento decisivo dessa construção: a identidade visual que acompanha e representa o projecto. O logótipo surge, assim, não como adorno, mas como parte integrante da sua coerência editorial.

 

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Conversa, escuta e comunidade

 

 

O poial foi, durante gerações, um lugar simples e essencial. À porta de casa, sentava-se para ver a rua, trocar palavras, ouvir histórias e deixar o tempo correr sem pressa. Ali se falava do quotidiano, mas também do mundo; ali se construía, sem o saber, uma forma de comunidade.

 

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Memória, reflexão e permanência editorial

 

 

Há projectos que nascem para responder ao imediato e outros que se constroem para durar. A CRIoula MBS Editora pretende inscrever-se nesta segunda categoria.

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

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