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A Câmara Municipal de São Vicente explica que os cinco dias de festa na Rua de Lisboa fazem parte da “recuperação social e emocional da ilha”. A cultura leva alegria, esperança e conforto. E São Vicente, diz-se, não pode parar. Fica registado, como ficam registadas quase todas as frases felizes.

 

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Antes da festa, o silêncio. Depois, o esquecimento

 

 

O presidente da Câmara Municipal de São Vicente anunciou, entre brindes e aplausos de um jantar partidário, que a Rua de Lisboa “vai bombar” durante cinco dias. De 27 a 31 de Dezembro, palco armado, luzes acesas, som no máximo e promessa de uma festa “estrondosa” – para mostrar, diz ele, que São Vicente é “festa e cultura”.

 

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Silêncio. É assim que deve começar a despedida de quem fez da música um modo de estar no mundo. Morreu na madrugada do dia 27 de Novembro, Vasco Martins – maestro, compositor, homem discreto e de inquietação serena. Cabo Verde perde um dos nomes centrais da sua criação musical contemporânea. A notícia chegou como um murmúrio, atravessando ilhas e redes. Nos dias seguintes, foi o silêncio que falou por todos nós – um silêncio feito de assombro, de respeito e de saudade.

 

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Manuel Brito-Semedo leva reflexão sobre Cabo Verde ao simpósio internacional em Harvard

 

 

O antropólogo, professor, ensaísta e cronista Manuel Brito-Semedo participa, nos dias 24 e 25 de Outubro de 2025, no simpósio internacional “A Luta Continua! – 50.º Aniversário da Libertação Africana do Domínio Português”, a realizar-se na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts (EUA). O encontro reúne investigadores e académicos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, bem como representantes das suas diásporas, para debater os legados das lutas de libertação, os desafios pós-coloniais e as dinâmicas culturais e políticas das últimas cinco décadas.

 

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Num tempo em que ensinar é também resistir, o Dia Mundial do Professor recorda-nos o exemplo de Baltasar Lopes, mestre maior da cultura cabo-verdiana. Entre as salas das ilhas e as da diáspora, persiste a sua lição: só com rigor, humildade e esperança se constrói um país que aprende, que sonha e que não desiste.

 

 

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Baltasar Lopes e a Boina Basca

Brito-Semedo, 29 Set 25

 

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Quando o estilo se transforma em memória cultural

 

 

Ao Leão Lopes

 

 

Poucas imagens terão ficado tão gravadas na memória colectiva cabo-verdiana como a de Baltasar Lopes de boina basca e óculos redondos, olhar firme, sereno e inquisitivo. Esse retrato não é apenas a fotografia de um homem; é a síntese de uma geração que ousou pensar o arquipélago em diálogo com o mundo. Essa boina, afinal, não era um detalhe qualquer: trazia consigo histórias, significados e ecos de outras geografias.

 

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Rénas: a balada que não se cala

Brito-Semedo, 27 Set 25

 

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Às Sobrinhas Renata e Lúcia Cardoso

 

 

Diplomata da Independência

 

Renato de Silos Cardoso, o nosso Rénas, nasceu em Mindelo a 1 de Dezembro de 1951 e partiu prematuramente, na Praia, a 29 de Setembro de 1989. Jurista, diplomata e político, mas também músico e poeta, foi uma das figuras que encarnaram o espírito dos anos da independência, acreditando que Cabo Verde podia ser mais justo, mais livre e mais humano.

 

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Retrato de um 'menine de Soncent'

Brito-Semedo, 3 Set 25

 

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Foto Ana Semedo, 2013

 

 

A força leve de ser sanvicentino

 

 

Ser menine de Soncent é mais do que nascer em São Vicente. É carregar um modo de estar forjado no Mindelo, cidade virada para o mar e habituada a receber o mundo no seu porto. Uma cidade que aprendeu cedo a ser cosmopolita, curiosa, moderna. E que nunca perdeu o chão da crioulidade.

 

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Assinala-se este mês o décimo aniversário da morte de Corsino Fortes, ocorrida a 24 de Julho de 2015. Poeta, diplomata e homem público cabo-verdiano, Corsino foi autor de uma obra literária marcante para a afirmação cultural pós-independência e ocupou cargos de destaque na diplomacia e na administração do país. Esta peça recorda a sua trajectória, as suas funções públicas e o legado que deixou nas letras e na cultura de Cabo Verde.

 

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Foi com profundo pesar que recebi a notícia do falecimento de Kiki Lima, pintor maior de Cabo Verde e meu colega de infância, aos 72 anos. Com ele parte não apenas um artista singular, mas também um amigo leal, companheiro das alegrias e sonhos da nossa geração.

 

Nascido a 17 de Outubro de 1953, em Ponta do Sol, Santo Antão, Kiki revelou desde cedo uma sensibilidade rara para as cores da sua terra. Aos 14 anos já pintava, numa vocação precoce que nem as dificuldades conseguiram travar. Em 1974 fixou-se em Lisboa, onde se formou em Pintura Decorativa pela Escola António Arroio, iniciando a sua carreira internacional sem jamais perder de vista o arquipélago que sempre o inspirou.

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

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