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João Manuel Varela, 1977.jpg

 Antuérpia, 1977. Foto cedida por António Manuel Neves (irmão)
 

João Manuel Varela (Mindelo, 07.Junho.1937 – 07.Agosto.2017)

 

Numa iniciativa conjunta da Rosa de Porcelana Editora e a  ALAIM – Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo, foi assinalado em Mindelo o 80.º aniversário de João Manuel Varela, cientista, professor e escritor natural da ilha de São Vicente, com uma homenagem presidida pelo Presidente da República. João Manuel Varela, que já tinha sido condecorado com a Ordem do Dragoeiro, foi distinguido pelo Presidente da República com a Medalha de 1.ª Classe de Mérito, a título póstumo.

 

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Foto Presidência da República

 

 

Começo por apresentar à editora Rosa Porcelana e ao Presidente da República de Cabo Verde, Dr. Jorge Carlos Fonseca, os nossos sinceros agradecimentos pelo convite e o nosso sinal de apreço pelas iniciativas da homenagem e da atribuição da Medalha de Mérito ao João Manuel Varela.

 

A todos os intervenientes, nomeadamente, ao Brito-Semedo, à Márcia Souto, ao Manuel Varela Neves e ao Tchalé Figueira, ao João Branco e à Janaína Alves, o nosso especial reconhecimento por darem corpo a esta homenagem, por fazerem que ela se realize.

 

A todos os amigos e leitores, ao homem anónimo destas ilhas, um bem-haja, em particular àqueles que estão aqui connosco, pois sem o vosso abraço isso tudo não faria qualquer sentido.

  

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RIP grande Vário

Brito-Semedo, 3 Set 17

 

 

 

Numa iniciativa conjunta da Rosa de Porcelana Editora e a  ALAIM – Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo, foi assinalado em Mindelo o 80.º aniversário de João Manuel Varela, cientista, professor e escritor natural da ilha de São Vicente, com uma homenagem presidida pelo Presidente da República. João Manuel Varela, que já tinha sido condecorado com a Ordem do Dragoeiro, foi distinguido pelo Presidente da República com a Medalha de 1.ª Classe de Mérito, a título póstumo.

 

Se a homengem foi bonita, a Sessão da Confraria do Arco, que se seguiu, foi uma festa. Os ecos bateram nas rochas do Arquipélado irmão dos Açores e voltaram pela boca do Poeta António de Néveda, sobrinho do Vário.

 

Confraria do Arco na Marina.jpg

Confraria do Arco na Marina em homenagem ao grande Vário. Foto Kiki Soulé

 

António Neves (Sobrinho) – O feedback que tenho em relação à Homenagem, de todos e em especial do meu pai, é de que se tratou dum belo momento onde a arte esteve presente!

 

Foi o que eu também fiz, com o sentir do cabo-verdiano, como quem recebe uma encomenda, uma jóia (se a minha avó, Bia Didial, estivesse ao meu lado ela corrigia-me, prontamente, não se diz encomenda, trata-se de "um sinal d'amor"). Estar presente, sim! Embora distante aqui mais a norte do Mar de Sargaços, fiz questão de estar presente em todos os sentidos, acima de tudo, espiritualmente!

 

Partilho um belo instantâneo que recebi da Diva, uma irmã do peito.

 

Ela disse-me que escolheram a Baía como cenário "pa trá boca d'morto"! RIP grande Vário.

 

E eu não resisti, a título de inconfidência, de lhe deixar a seguinte msg: Os "rapazes" presentes que me desculpem, mas a pedra de toque, o segredo, era a presença dela a embelezar a imagem, "a" refrão da flor a encantar a canção!

 

António Manuel (Irmão) – Este é quadro que mecere uma moldura que a dignifique, para que a Grande Homenagem ao Djom, proferida por Brito Semedo, Lelela, seja sempre lembrada. Beijos e abraços.

 

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Uma homenagem a João Manuel Varela, aquele que foi um dos mais ilustres cabo-verdianos e um dos seus maiores escritores e da literatura contemporânea em língua portuguesa.

 

Homenagem João Varela.png

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ETavares - Ratrote.jpg

 

 

Em saudação a Eugénio Tavares, paradigma da crioulidade,

no ano do seu 150.º aniversário

 

 

Comemoramos neste Ano de Graça de Nossenhor Jesus Cristo de 2017 várias efemérides no âmbito da cultura, que nos remete para datas redondas relacionadas com grandes figuras da literatura cabo-verdiana e um importante facto histórico. Teremos (i) os 150 anos de nascimento de Eugénio Tavares; (ii) os 110 anos de nascimento de Baltasar Lopes e de Manuel Lopes; (iii) os 100 anos da criação do Liceu de Cabo Verde. Para além dessas efemérides, teremos ainda os 80 anos de nascimento de João Varela, in memoriam, e de Oswaldo Osório.

 

150 anos de Eugénio Tavares

 

Eugénio Tavares, autodidacta, grande jornalista e polemista, dramaturgo, ficcionista e poeta, nativista e autor de inúmeras mornas, nasceu na Brava a 18 de Outubro de 1867. Desde 2005 é patrono do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades.

 

A obra completa de Eugénio Tavares, recolhida por Félix Monteiro, está reunida em três volumes: Eugénio Tavares – Poesia, Contos Teatro (1996), Eugénio Tavares – Pelos Jornais… (1997) e Eugénio Tavares –Viagens Tormentas Cartas e Postais (1999). De destacar ainda o seu livro póstumo, Mornas. Cantigas Crioulas, e os 85 anos de sua publicação.

 

Uma boa notícia é que vai sair pela Livraria Pedro Cardoso, ainda no início deste ano, o livro Eugénio Tavares: Retratos de Cabo Verde em Prosa e Poesia, a tese de doutoramento de Genivaldo Rodrigues Sobrinho defendida na Universidade de São Paulo, Brasil, em 2010. Por seu lado, a Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa, da Universidade de Cabo Verde, pretende realizar um Colóquio Internacional para assinalar os 150 anos do seu patrono.

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João Vário.JPG

 

 

Aos Confrades do Arco, Germano Almeida, Vasco Martins e Tchalê Figueira

 

 

Esquecer!?

Ninguém esquece…

Suspende fragmentos

na câmara escura,

que se revelam à luz da lembrança...

 

– Poeta desconhecido

 

 

Parece estar a acontecer um facto interessante nestas nossas ilhas crioulas onde, por regra, impera a falta de memória ou a memória é simplesmente selectiva. Facto assinalável é estarmos a recordar datas, figuras e movimentos culturais e há uma onda de homenagens e reconhecimento como há muito não acontecia.

 

Aproveitando a onda, o Esquina do Tempo presta aqui a sua homenagem pública a João Manuel Varela (Mindelo, 07.Junho.1937 – 07.Agosto.2007), um dos mais ilustres cabo-verdianos e um dos seus maiores escritores e da literatura contemporânea em língua portuguesa.

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João Manuel Varela ou João Vário

Brito-Semedo, 21 Nov 13

 

Varela.jpeg

   

No Dia da Universidade de  Cabo Verde (21.Nov.2008 - 21.Nov.2013), uma singela Homenagem ao Professor Titular de Citologia e Fisiologia Celular no Instituto Superior de Engenharia e Ciências do Mar (ISECMAR), JOÃO MANUEL VARELA, um dos mais ilustres cabo-verdianos e um dos seus maiores escritores e da literatura contemporânea em língua portuguesa.

 

 

Escrevo assim porque não posso escrever doutra maneira. A estrutura da minha inteligência, da minha memória e da minha sensibilidade […] fazem-me uma leitura do mundo e de mim que não é simples.” – T. T. Tiofe, 1974

 


João Manuel Varela (Mindelo, 07.Junho.1937 – 07.Agosto.2007) foi médico, neurocientista e investigador de renome internacional, com destaque para a descoberta de uma síndrome anatomoclínico, agora conhecido por Síndrome de Varela, e Professor Universitário. Regressado à sua ilha natal da Micadanaia, em 1998, após 42 anos na diáspora, 10 dos quais na situação de exilado político, onde fez doutoramento e agregação na Universidade de Antuérpia (Bélgica), faleceu em Agosto de 2007, aos setenta anos.

 

Professor Titular de Citologia e Fisiologia Celular no Instituto Superior de Engenharia e Ciências do Mar (ISECMAR), João Manuel Varela foi um dos mais ilustres cabo-verdianos e um dos seus maiores escritores e da literatura contemporânea em língua portuguesa.

 

John ou Geunzim d’Didial, de seu nome próprio João Manuel Varela, filho de Notcha e Bia de Didial, é um escritor cabo-verdiano único e completo que se tresdobra em João VÁRIO (poética ontológica) – heterónimo que terá nascido em 1959 e que, pela sua força e originalidade de escrita, lhe roubou a identidade de cidadão e cientista – Timóteo TIO TIOFE (poética enraizada e voltada para as ilhas), criado em 1961; e G. T. DIDIAL (ficção filosofico-metafísica), heterónimo que terá sido criado na década de 80.

 

 

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"Exemplos" de João Vário Reeditado

Brito-Semedo, 1 Jul 13

 

Excerto:


Todas as coisas têm o seu tempo, todas passam
debaixo do céu segundo seu tempo
e há um tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Ah! Certamente tornarei a isto por este tempo de vida.
Ao tempo determinado, tornarei a isto por este tempo de vida.
Porque dirão: eis um homem deste século,
um homem de África, debaixo da sua mangueira
e debaixo da sua papaeira, um homem
com seu desejo de audiência e história,
sua voz aberta e sua digníssima pele,
falando da África deste tempo e de seu povo,
seus órgãos do canto.
Um homem que não habita seguro em sua freguesia
e seu sémen destina às filhas de Mindelo,
de Acra, de Lagos, de Nairobi, Dar-Es-Salam ou Addis-Abeba,
e cai sobre a terra quando for seu tempo de cair
e de se juntar a seus pais, cara a cara, indo pelo caminho de toda a terra,
ao seu tempo, ao tempo determinado,
sem o lamento da América nem o escárnio da Europa.

 

«Imaginemos a cena: um jovem cabo-verdiano, a meio dos anos 60, após se ter formado com distinção em Medicina em Coimbra e Lisboa, e de modo a evitar a mobilização para a guerra colonial, emigra para a Bélgica, mais propriamente para Antuérpia, cidade onde longamente viverá. Vai, nas suas palavras, «a caminho do exílio», afastando-se «do medo e do tempo da discórdia». O mês é Abril, esse mês-fetiche do seu poeta (T. S. Eliot), e a paisagem que vê do comboio dramatiza a despedida (…).»

 

Osvaldo Silvestre (organizador do volume)

 

Autor: João Vário

[João Manuel Varela, S. Vicente, 1937-2007]
Editora: Tinta da China 
Data de Lançamento: Junho 2013 
Nº Páginas: 312 

 

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