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A Matriz do Crioulo

Brito-Semedo, 11 Mai 25

 
 
Miguel Levy, "O sopro da forma", aguarela, 2009

 


Estando a acompanhar o trabalho do amigo Moçambicano José Mucangana, ex-colega liceal do meu irmão Viriato, no Liceu Salazar, em Lourenço Marques, actual Maputo, Subsídios para a cabo-verdianidade, que proximamente será publicado no "Artiletra", e posteriormente em livro, subsídios que, estou convencido, irão sacudir algo da história da nossa origem, da invenção do crioulo e do nosso contributo na sua difusão, lembrei-me dos termos que reuni dos romances de Aquilino Ribeiro que nos elucida sobre a matriz do nosso crioulo, pelo que decidi publicar esses vocábulos. Dedico o artigo à Liga Cabo-verdiana dos Amigos da Língua Portuguesa, recentemente constituída ou em vias de o ser.

 

Como admirador do escritor Aquilino Ribeiro, já li a maioria dos seus romances. Não pretendo, com estas linhas, fazer a crítica da sua imensa obra, do seu génio literário e erudição por me faltar competência para tal. Interessa-me particularmente o seu domínio da língua e a utilização de vocábulos que raramente se usam na linguagem oral e escrita actual, mas que encontramos na sua Beira Alta, e com muita frequência, por vezes alterados, no nosso crioulo. Homem de cultura, foi seminarista, professor em Portugal e em França, com um domínio do latim, bem digerido no seminário, que lhe permite entreter-se com a valorização de expressões populares da sua terra natal e a inventar neologismos.

 

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Artio 9º.jpg

 

"Artigo 9º", Documentário selecionado para o V Festival Internacional de Cinema do Caeté (FICCA). Trata-se de um dos 120 filmes selecionados de entre 387 inscritos. Um documentário de 46 minutos de Ercie Chantre que trás à tona um debate à volta da Oficialização do Crioulo em Cabo Verde. O festival aconteceu simultaneamente no Brasil e em Portugal, nos dias 8, 9 e 10 de Dezembro de 2020.

 

 

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Oficializar o crioulo? Porquê a pressa

Brito-Semedo, 21 Fev 19

 

lingua_materna01_21_02_2019jpg.jpg

 

 

Para assinalar o Dia Internacional da Língua Materna, o Esquina faz a reedição na íntegra de um texto de Humberto Cardoso, publicado pelo Jornal A Semana de 10 de Abril de 2009.

 

 

A questão de oficializar ou não o crioulo ganhou uma outra dinâmica com a apresentação do projecto de revisão constitucional, apresentado por um grupo de deputados do PAICV. Anteriormente a questão, ciclicamente, recebia impulsos políticos de diferentes quadrantes. Momentos houve, no passado recente em que Ministros, Primeiro-Ministro e o próprio Presidente da República se desdobraram em declarações, pontuadas por elementos de retórica nacionalista, clamando pela sua oficialização.

 

A pressão pela oficialização do crioulo tem um conteúdo essencialmente ideológico.

 

No projecto de revisão constitucional, o PAICV quer “dignificar” o crioulo face ao português. Assim propõe que o nº 1 do artigo 9º da Constituição passe a ter o seguinte texto: 1. São línguas oficiais da República o Cabo-verdiano, língua materna, e o Português. Com isso pretende retirar o crioulo de algum suposto estatuto inferior e finalmente libertá-lo da opressão da língua portuguesa. O facto porém é que, em Cabo Verde, diferentemente de outros países onde se procura oficializar línguas maternas, não há discriminação do crioulo.

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Carga frágil. Manusear com cuidado

Brito-Semedo, 2 Mar 18

 

Falucho # 6.jpg

Foto: José Matos Alves

 

 

Homenagem a Nhô João Martins (Jôm Ped de Canja), Capitão do Ildut

 

 

A receber carga, com saída marcada para o Dia Internacional da Língua Materna, Falucho atrasou-se no porto devido ao trafego e arrumação de carga frágil no porão que exigiu cuidado especial no seu manuseio.

 

O antropólogo, professor e filósofo belga Claude Lévi-Strauss (1908 – 2009) definiu Cultura como um conjunto de sistemas simbólicos: a linguagem, as relações de parentesco, a religião, as relações económicas. Por outras palavras, é um modo não-genético de transmissão existente em uma comunidade contínua, entendendo-se por comunidade uma população que tem a mesma cultura. Pode-se assim dizer que Cultura refere-se ao que quer que seja transmitido não geneticamente, entendendo-se dessa afirmação que essas duas noções, Cultura e Comunidade, estão intimamente ligadas.

 

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Arménio-Vieira, Camões 2009.jpg

 Arménio Vieira, Café Cachito, Praia, Finais anos 90

 

 

 

Em Saudação ao Poeta Arménio Vieira, Prémio Camões 2009

 

 

Segundo o conceituado romancista Teixeira de Sousa (Fogo, 1919 – 2006), os escritores cabo-verdianos são trilingues. Desta forma: “temos o crioulo, temos o português claridoso [...] e [temos] o português domingueiro, correcto e vernáculo, que usamos no ensaio, nos relatórios, nos ofícios, nos discursos, na correspondência, etc., etc.” [1].

 

De facto, é possível, através da análise das produções literárias detectar os momentos marcantes no discurso linguístico cabo-verdiano, porque os mesmos se sobrepõem aos períodos e sub-períodos ou fases da literatura, a saber: o Período do Cabo-verdianismo (1842-1936), o Período da Cabo-verdianidade (1936-1974/75) e o Período do Universalismo (1974/75 -...).

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Dr. Arnaldo França Faleceu Há 1 Ano

Brito-Semedo, 19 Ago 16

  

Arnaldo França.jpg

 

Arnaldo Carlos Vasconcelos França

 

Praia, 15.Dezembro.1925 – 18.Agosto.2015

 

 

O Esquina do Tempo teve acesso às cópias dos textos disponibilidades pelo Dr. Arnaldo França à Doutora Amália Melo Lopes por ocasião da Semana da Língua Materna 2012  na Uni-CV (uma delas tem assinatura, tornando-se, por isso, uma preciosidade), que os digitalizou, sendo validados por ele. Alguns destes textos terão sido publicados no jornal A Semana.

 

Um bem-haja e um agradecimento especial à Professora Amália Melo Lopes pela cedência deste material.

 

 

ABANDONO OU FADO PENICHE

 

David Mourão-Ferreira

 

 

«Por teu livre pensamento

Foram-te longe encerrar.

Tão longe que o meu lamento

Não te consegue alcançar.

E apenas ouves o vento.

E apenas ouves o mar.

 

«Levaram-te, era já noite:

a treva tudo cobria.

Foi de noite, numa noite

de todas a mais sombria.

Foi de noite, foi de noite,

e nunca mais se fez dia.

 

«Ai dessa noite o veneno

Persiste em me envenenar.

Ouço apenas o silêncio

que ficou em teu lugar.

Ao menos ouves o vento!

Ao menos ouves o mar!»

MORNA TARRAFAL

 

Versão crioula de FADO PENICHE, de David Mourão-Ferreira

 

Mó bu cabeça ê sim dono

És fitchabo longi bu casa.

Nim nha tchóro, nim nha grito

Ca ta tchiga djunto bó.

É só mar qui bu ta ôbi.

Bu ca t´ôbi más qui bento.

 

És lebabo nôti fitchado,

Nôti sucuro di treba.

Era nôti cima agôro,

Nôti nim ano di fome.

Era nôti, era nôti,

Ti hoji inda ca manchê.

 

Veneno qu´ês da-m´quêl nôti

Ti góci ê´sta-m´ na sangui.

Na casa, na bu lugar

Só basio fica co mi.

Bó ao menos bu tem bento.

Bó ao menos bu tem mar.

  

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Homenagem à Rua de Côco d'Outrora

Brito-Semedo, 29 Mai 16

 

Rua de Coco.jpg

Rua de Coco (Foto actual)

 

 

Na Rua de Côco tem um cruz na mei de rua
Ondê tud menine ta jegá botom e dupatrão
Tem loja de Pudjim que ta pagode pa mês
Tem nh’Antonha Solidade que ses rubesode
E que tude menine ta passá pau
Tem bar de nha Nizinha ondê que Tchuff, Nho Djuquinha,
E também Bana, menine de Rua de Côco, ta cantá
Tem casa de Mané Cantante, que tem horta na Rebera Julion
Que ses almoço dominical que B.Leza e Moxim de Monte


Na Rua de Côco tem figuras célebres de marinheiros, de navegadores
Mas também grandes desportistas e figuras de respeito, gente nobre,
Tem Dedenche, nha Gadjome, nha Mar’inceta, Nho Tino, Nha Tina,
Nha Bidjuta, Nha Puldina, Bia de Guida, Nho Jom Miranda,

Fernando de Pudjim, e mas gente que já-me esquecê.

 

Na Rua de Côco ta passá gente pa tcheu camim:
Uns ta bá baia pa trá um dia de traboie
Otes cansode de vida na camim de cemiter
Que música ô sem música sês destine ta passá pa Rua de Côco.
Tem procissão dum qchada de sonte
Ma também tem massongue
Tem casa pa trá espirte rum
Educá bo alma
E traze-be dignidade.

 

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Segundo a autora, Amália Melo Lopes, As línguas de Cabo Verde: uma radiografia sociolinguística apresenta um panorama do actual comportamento verbal e das atitudes linguísticas dos falantes e das perspectivas de mudança, em relação às duas línguas do arquipélago, a cabo-verdiana e a portuguesa.

 

Apresentação: 04 de Março, sexta-feira

 

Local: Biblioteca Nacional

 

Horário: 18 Horas

 

Apresentador: Prof. Doutora Maria Antónia Mota, Universidade de Lisboa

 

 

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Armando Napoleão.jpeg

 

 

Armando Napoleão Rodrigues Fernandes

 

Brava, 01.Julho.1889 – Praia, 19.Junho.1969

 

 

Armando Napoleão Rodrigues Fernandes nasceu na Ilha Brava, Cabo Verde em 1 de Julho de 1889. Investigador da língua cabo-verdiana é o autor do primeiro dicionário crioulo/português, com o título: O Dialecto Crioulo – Léxico do Dialecto Crioulo do Arquipélago de Cabo Verde, obra terminada em 1943, mas que só foi publicada postumamente em 1991. Esse trabalho é considerado, pioneiro na promoção e valorização da língua cabo-verdiana, o crioulo. Em homenagem, o seu nome foi dado à Escola Secundária situada em Cruz Grande/Achada Falcão, Assomada, Concelho de Santa Catarina, inaugurada em 2008. Condecorado pelo Presidente da Republica com a Medalha de Mérito em 5 de Julho de 2000.

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Estatuto da Língua Portuguesa em CV

Brito-Semedo, 20 Nov 15

 

Cao Verde - Portugal.jpg

 

 

 A língua portuguesa é uma das melhores coisas

que os portugueses nos deixaram”.

 

- Amílcar Cabral

in A Arma da Teoria, 1974

 

 

O Português utilizado em Cabo Verde tende, até certo ponto, a seguir a norma europeia. Contudo, não deixa de ser curioso o facto de, em certas particularidades, esse Português aproximar-se do utilizado no Brasil. Especialmente no uso oral, o Português em Cabo Verde está a criar regras próprias.

 

São ainda poucos os estudos sobre o português de Cabo Verde. Contudo, tem-se a percepção de que existe uma relação causa-efeito entre o mau domínio da língua portuguesa e o insucesso escolar, já que essa língua é, simultaneamente, objecto de estudo e veículo transmissor de conhecimentos.

 

Apesar do nível de racionalidade com que a aquisição do Português é tratada, verifica-se que a situação dessas duas línguas em contacto envolve níveis mais profundos do que a mera aquisição de padrões fonológicos ou a aprendizagem de um vocabulário. A questão é tanto cultural como política.

 

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