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Brito-Semedo, 21 Nov 25

O concerto de Tcheka e Mário Laginha no Centro Cultural Português foi um acontecimento musical maior – desses que inscrevem um momento na memória cultural da cidade. A Praia vive hoje um período de vitalidade cultural crescente, com públicos mais atentos e encontros musicais que começam a ganhar consistência, afirmando-se como palco de diálogos artísticos cada vez mais exigentes. Foi neste ambiente renovado que o concerto revelou como a verdadeira inovação nasce do cruzamento honesto entre identidades fortes.
Mário Laginha, pianista de referência no panorama português, trouxe ao palco uma escrita musical depurada e rigorosa. No seu piano, a clareza técnica alia-se a uma imaginação disciplinada, onde cada nota é exacta e cada silêncio tem peso próprio. É música que pensa e respira, sem ornamentos supérfluos.
Tcheka, por seu lado, reafirmou a originalidade que o distingue no universo cabo-verdiano contemporâneo. A sua voz, cheia de textura e verdade, e a sua guitarra, simultaneamente rítmica e melódica, mantêm viva a batida de Santiago, enquanto a projectam para territórios contemporâneos. Tcheka recria a tradição sem a diluir – e essa é a sua força.
O mérito maior da noite esteve no modo como estes dois universos dialogaram. Num dos momentos iniciais, Tcheka introduziu uma variação rítmica inesperada, e Laginha respondeu com um acorde suspenso que desenhou um caminho novo. Nesse instante, a sala percebeu que não assistia apenas a um concerto, mas a um entendimento profundo: a fusão verdadeira, aquela que não mistura estilos, mas procura o ponto exacto de verdade entre duas linguagens exigentes.
Há doze anos, naquele mesmo espaço, tinha começado o primeiro encontro da dupla. Por isso, esta estreia conjunta na Praia ganhou, assim, uma dimensão simbólica – parecia cumprir-se uma promessa antiga. E o público reconheceu-o. A sala cheia escutou com atenção rara, num silêncio denso que só surge quando algo de grande acontece diante de nós.
Este concerto mostrou dois artistas na plenitude da maturidade criativa. Juntos, oferecem mais do que espectáculo: propõem uma estética, uma forma de ouvir o mundo, uma maneira de ligar geografias, memórias e sensibilidades.
Segue-se Mindelo, depois Cidade Velha. Quem assistir compreenderá que este encontro não foi circunstancial: foi inevitável, necessário e luminoso.
Há concertos que não se ouvem apenas – reconhecem-se. E este foi um deles.

– Manuel Brito-Semedo
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